Quando aprendi a subir em árvore_fase 02


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, flor do dia

…Continuando a nossa história: 7 é um bom número para se falar em criação :)

Depois de 7 dias, terminei a árvore da Olívia. Primeiro veio o tronco, depois as Olivas, depois vieram as folhas, muitas folhas! Um balé delas, de todas as cores, me encantavam enquanto pintava. À medida que as folhas preenchiam a árvore, preenchiam minha’lma de satisfação. Sensação boa foi fazer pequenas sementes, deixando para o vento a polinização a cada novo dia da vida da pequena, que está por vir.

Me pergunto: será que a vida que entregamos para àquilo que fazemos, realmente “anima” a criação? Será que é isso que queremos expressar ao comentar alguma peça e dizer “-quanta vida!”? Pois para mim, depois dessa experiência, se comprova que sim. A realização de um fazer, ou, a resultante dele, tem a ver com um elemento novo aqui, em nossas histórias: chama-se “ENTREGA”. Há que se ter entrega em teus fazeres. Entregar-te para sua ideia, depois para teu fazer, relacionando-se com ele em forma de presença física e de “espírito”.

Nos processos criativos acontece uma “troca de vida”. Quando acontece a entrega, ela retorna em vida, também. Sentí na pele todas essas sensações durante o processo de pintura da árvore. Ao terminar, sentía que tinha doado e entregue uma vida. Ao mesmo tempo, retornei para casa com a sensação de ter ganho uma outra. Embora cansada, preenchida de uma vida colorida e livre.

Ainda não sei ao certo aonde essa vida habita agora em mim, mas sinto sua pulsação. Quem sabe seja a polinização da árvore, que trará novas vidas ;)

Todo processo criativo é um ato de re-criar-se.

Quando aprendi a subir em árvore_fase 01


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, flor do dia, mil_fazeres

O nome dela é Olívia.

Ela ainda não nasceu. Mas já me ensinou a subir em árvore  :)

“- Dani, estamos pensando… Você pinta uma Oliveira na parede do quarto da Olívia? – Diz o pai.

- Oliveira? – Eu pergunto. É! A árvore que dá as Olivas! – Me Explica o pai.

Hummmm…Será? Nunca fiz isso, não… mas eu topo!”

Ebaaaa! Que delícia, Dani. Muitos sorrisos! – diz a mãe.”

Assim começou a história da árvore da Olívia. Foram algumas noites de sonho, muitos emails, referências, ideias e 7 dias de puro fazer.

Vou compartilhar com vocês aqui (em fases), um pouco da experiência de descobrir um fazer até então desconhecido e as sensações vividas durante esse processo (intenso) !

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Vocês sabem, eu adoro desenhar e tal. Mas nunca tinha me aventurado em paredes. Sim, a experiência de desenhar na “perpendicular”, em pé, é totalmente outra, garanto. Fora a falta de apoio dos braços, a dimensão maior que de um papel, tela, etc… A relação com a sua lombar ganha uma importância diferente, rs :) Brincadeiras à parte, a primeira sensação nova que eu vivi depois de algumas horas em pé riscando uma parede de uns 4 de largura, foi a de perceber uma certa habilidade para reproduzir em proporções beeeeem maiores um desenho “pré-aprovado” feito na primeira fase desse “projeto” entre eu e minha amiga-mãe-cliente :). Confesso que o que me apavorou de primeira, foram essas proporções.

Uma vez traçada a árvore, veio a primeira sensação de satisfação da empreitada. A ideia pareceu mais palpável e possível. Como eu só tinha os finais de semana para fazer, depois de 2 dias, tinha que me desapegar e voltar dali a 5 dias. Foi estranho isso. Para mim foi difícil começar algo, entrar no processo, ter que parar e voltar depois de um tempo. Percebi que tenho um certo “apego” à obra e uma vontade voraz de vê-la pronta – logo.

No segundo final de semana, 3º dia de trabalho, outro desafio: pintar a árvore. As tintas, os pincéis, as cerdas certas, a direção da pincelada, a luz, quantas “mãos” de tinta e quantas “mãos de amigos”. Explico: vendo o tamanho da nossa Oliveira, alguns amigos resolveram participar e ajudar no processo. Foi ótimo, sou grata e nos divertimos; mas logo, outra impressão: – obrigada amigos, mas na minha árvore só subo eu! rs. É complicado muitas “mãos” em um trabalho assim. Cada um tem um jeito e um traço e a tinta deixa na textura algo bem autoral, digamos. Mas, foi uma delícia compartilhar e descobrir isso juntos. Até a Ju (mãe de Olívia) entrou na arte e axé de mãe é sempre mais que bem-vindo.

Quando aprendi a subir em árvore _ FASE 01

preparando as tintas

Traçada à lápis grafite

Descobrindo as pinceladas

Ju, mãe da Olívia e eu :)

Mãos e amigos

Olha ela aí

temos um tronco!

Olívia e suas Olivas

FASE 01 cumprida!

Daqui uns dias tem FASE 02! Segura aí.

Carol Abdo | Flores para sonhar


por Daniela Scartezini
Design, Ilustração, Palavras, as rosas falam, flores

A Menina Carolina

“Há três anos atrás ela me fez um convite daqueles de tirar o sono. Na mesma hora me apaixonei, e entrei em pânico pela ideia.

Suely, a psicóloga, me convidou para escrever as “histórias de Carolina”. Assim como ela, precisava que alguém mergulhasse de olhos abertos nas imagens que a menina trazia de seus sonhos e, feito o vínculo (inevitável), costurasse tais imagens e sonhos e desenhasse em palavras para serem entregues ao mundo.

Dizia ela: – “Carol é menina especial. Dessas que ao conhecer não conseguimos desgrudar os olhos. Conta histórias incríveis, sonha escrever um livro.”

Eu era uma estudante da Arteterapia. Estudava as histórias e como os contos e o trabalho artístico por meio delas, poderiam serem utilizados no trato da alma.

Passadas algumas noites, intrometida que sou, aceitei o mergulho.

Em nosso primeiro encontro eu não sabia se faria por Carol o que ela esperava de mim. Mas tive certeza do que ela faria por mim. A menina agradecia meu aceite em trabalhar com ela. Mal sabia ela – quem agradecia era eu.

Durante um ano, semanalmente, tínhamos uma hora marcada para subir em caravelas, conversar com animais, encontrar seres dotados de dons mágicos, falar sobre amor, saudade, medo de lobo, brincadeiras de criança, fazer coceguinhas e rir, rir, rir….muito. Chorar muito também! A danada da menina, vez ou outra, fazía-me vir às lágrimas. Coisa inevitável de acontecer no convívio com Carol. Era desconcertante para mim, “menina perfeita”, saudável, plena de minhas faculdades, ter alí, diante de meus olhos, àqueles olhos tão vívidos da menina Carolina – tão certos de sua capacidade de realizar qualquer um que fosse seu sonho.

O tempo foi passando e a menina foi crescendo, se tornando uma gigante. Ou, talvez eu fosse ficando pequenina diante dela.

Pensava eu saber algo, ser “gente-grande” e informada da vida. E toda vez que a encontrava, a menina me ensinava a rir de verdade, chorar prá valer, acreditar de doer, brincar sem esquecer de crescer, sonhar para crer. Com Carolina aprendia a desaprender o que deveria aprender de novo.

Até que chegou o dia em que abri a porta e deixei do lado de fora qualquer teoria para seguir o que a menina me ensinava todos os dias: seguir o meu instinto. Sim: conhecer o significado da palavra “sabedoria”. A magia aconteceria em algum momento que tudo isso encontrasse com o conhecimento, sem que ele ficasse à frente, mas simplesmente fosse ele a partitura para que escrevêssemos nosso sonho, nossa história.

Abri meus ouvidos e escutei.  Não sei ao certo, quem contou para quem. Encontramo-nos nesse lugar de animais encantados, lobos e princesas e alí vivemos por um tempo.

Depois da menina Carolina, digo que contos de fadas existem. Eu, ela, sabemos que sim.

É verdade. Tire os óculos. Taí, não vê?

Rebeca, a menina loba, nasceu. Forte e saudável.

Dizem que é hoje, a mais bonita da escola.

Dia 15 de janeiro, às 10:30h, na Livraria da Vila, Al. Lorena, 1731, será lançado o livro: Rebeca, conto de uma menina-loba, de Carol Abdo. Resultado do processo terapeutico de Carol.


Sinopse do livro:

Rebeca era uma menina diferente: desde muito pequena adorava histórias de lobos e de vez em quando, sentía coceguinhas e ria, sem entender o motivo. Seu maior sonho, era ver um lobo de verdade. Não entendia por quê as pessoas tinham medo de lobisomem. Para ela, alguém que podia virar um lobo era maravilhoso, fascinante!

Acompanhada de seus amigos animaizinhos , Rebeca vive em busca de realizar seu sonho. Ela vai crescendo até que um encontro com sua avó, revela que Rebeca também é um ser mutante.

Nesse conto de aventura narrado em versos rimados, acompanhar a pequena menina loba em seu crescimento e entendimento sobre seu dom especial, é uma forma delicada, emocionante e divertida de as crianças transformarem o olhar para as diferenças, ou simplesmente para àquelas crianças especiais, lidarem com sua “diferença” como um dom.

Além disso, a menina mutante evoca a importância da família, da amizade e do amor em favor da aceitação, da inclusão e superação. Para todas as crianças e adultos que em algum momento de sua trajetória, vão lidar com a diferença. Principalmente, às crianças mais que especiais.



Escrever sobre Ana Carolina é tarefa árdua.

Talvez ainda não hajam palavras capazes de descrevê-la, sem reduzi-la, ou esteriotipá-la.Ana Carolina é uma mulher incomum.

Uma mulher especial. Mulher que nos desafia. Encanta e emociona.
 Dessas, que quando trocamos um olhar nos faz lembrar que qualquer sonho é possível. Ou enfaticamente: que viver, é para ser Grande.

Com ela aprendi sobre uma qualidade de amor até então desconhecida: amor puro de um coração de criança em uma alma de mulher.

Carol é uma verdade desconcertante.

Mulher que conta histórias e nos conduz a um imaginário fantástico de paisagens que todos nós deveríamos visitar.

Em seu primeiro conto, tive a honra de ser sua “maestrina”. Empresto o termo por tê-lo como mais acertado ao descrever o papel de minha “personagem” nessa história.

Pois foi essa a função que exerci: reger a composição de Carol, arranjá-la e traduzí-la em partitura.

Dizem que o termo “contar”, vem do verbo “cantar”. E tal qual música, esse é um conto de Beleza para se ouvir com o coração e cantar a todos.


Durante o processo criativo de Carol, descrevemos, interpretamos e desenhamos cada um dos personagens. Falamos sobre suas características, personalidade, etc…

Ao vislumbrarmos a possibilidade de fazer o livro da história de Rebeca, a menina loba, foi difícil encontrar um ilustrador que aceitasse o desafio de ilustrar a história, e que, principalmente, conseguisse retratar a linguagem que Carol queria para seu  livro, além da identidade de seus personagens, tão ricos em características, etc.

Foi aí que encontramos o Alê Venancio. Designer e ilustrador de um talento (e sensibilidade), só. Iniciou-se a segunda parte desse trabalho. Durante mais um ano, Carol, Alê e eu, fomos desenvolvendo cada uma das ilustrações dessa história, com o intuito de sermos muito fiéis às imagens “mentais” da Carol.

Para ver mais, aparece lá.*

Sábado, agora, dia 15/01, às 10:30, na Livraria da Vila da Al. Lorena, 1731.

O trabalho de editoração e design gráfico do livro é da designer Angela Mendes.



“… Resultado do trabalho desenvolvido com a arteterapeuta Daniela Scartezini, Rebeca, conto de uma menina-loba é um livro de aventura, com uma pitada de romance e ficção, em que Carol coloca muitos elementos de sua própria biografia. “Rebeca tem um pouco de mim, ela é doce, carinhosa, uma menina feliz”- diz Carol. Para Daniela Scartezini, a publicação é fruto da força de vontade de Carol e do seu desejo em ser reconhecida por seu trabalho. “A Carol teve coragem para superar suas dificuldades e desenvolver algo que a desafiasse e ao mesmo tempo servisse como guia para crianças e pessoas com necessidades especiais”.”

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Pat Brandstatter | Flores para durar


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, Ilustração, Moda, flores, tedxamazônia, vídeo

Enquanto o tempo voa e todo mundo quer chegar logo, há pessoas que fazem questão de não encurtar o caminho. E ir no seu ritmo. Leve o tempo que levar, dure o tempo que durar.

A Pat Brandstatter é meio assim, atemporal. Um jeito de menina, mas a certeza madura da importância do prazer em seu fazer. Ela é ilustradora e adora desenhar plantas e flores em papeis, madeiras, paredes e tecidos. Talvez, porque aprecie o transcorrer da natureza – ver a semente brotar, crescer, florescer… São dela as lindas ilustrações das camisetas e postais que A Florista e a Colmeia vão entregar como presente no TEDxAmazônia, que tem como tema “Qualidade de Vida para Todas as Espécies”.

E quanto tempo cada espécie leva para evoluir? Pat não tem pressa… Seu desejo é seguir se transformando.

Pat Brandstatter | Flores para Durar from A Florista on Vimeo.

* Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu, Dani Scartezini (quem captou as imagens), não tenho nenhum talento para filmar :). Mas… não dava prá perder a Pat falando. Desculpem a “rusticidade” e aproveitem o estilo feito à mão (que treme, rsrs).


Por Pat Brandstatter, para A Florista

“Fui uma criança tímida e introspectiva, passava muito tempo lendo e desenhando. As histórias me transportavam para universos mágicos e o desenho era um meio de experimentar, contemplar e me relacionar com o mundo.

Gosto de desenhar observando as formas, é um processo de encantamento e intersubjetivação. Muitas vezes, quando volto totalmente a atenção para um determinado objeto, seja vivo ou inanimado, com a intenção de representá-lo, entro quase em estado meditativo, as relações espaço/tempo são suprimidas e é como se aquela imagem que está nascendo mantivesse, juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em mim. Através dela me reconheço e reconheço o outro em intimidade.

Tanto no desenho como na vida, procuro respeitar os movimentos naturais, as necessidades íntimas… Cada passo é uma pequena descoberta para a construção de sentido e, assim, não consigo visualizar fins de processos. É como se os meus desenhos, gravuras e pinturas nunca terminassem, paro por uma necessidade prática (um prazo de entrega, por exemplo), mas sinto que eles retomam de onde estavam para continuar seu caminho no próximo, que será só mais um dos infinitos passos. Me encantam os processos de transformação natural, a percepção de que o tempo registra sua ação nas faces da matéria e que cada um dos seus estados têm a sua beleza.

Acredito que temos que estar muito atentos para seguirmos o melhor caminho possível em tudo o que vamos fazer e, para mim, percebo que a melhor forma de isso acontecer é quando respeito as minhas necessidades interiores. Sinto que para serem verdadeiros a minha vida e aquilo que posso criar devo ter muita liberdade, a liberdade que não ultrapassa o espaço e o respeito pelo outro, mas que pode sim contrariar ensinamentos e desejos pré estabelecidos socialmente.

Percebo, através do meu próprio processo, que a arte pode ser um meio libertador e de sensibilização para uma aproximação das essências de si e do outro. Ainda pesquiso formas de dividir essa experiência com muitas pessoas, mas já fico muito feliz de poder expor um pouquinho dela aqui.

Gosto e me identifico muito com as filosofias do artista russo Wassily Kandinsky e do filósofo francês Henri Bergson, então reescrevi frases de ambos porque acredito que sintetizam uma parte importante do que penso sobre arte e vida…”

“Todos os procedimentos são sagrados, se são interiormente necessários”.

(KANDINSKY, Do Espiritual na Arte, 1996)

“Quanto mais aprofundamos na natureza do tempo, mais compreendemos que a duração significa invenção, criação de forma, elaboração contínua do absolutamente novo”.

(BERGSON, A Evolução Criadora,1979)


Ilustrações da Pat Para o TedxAmazônia

A partir dessas ilustrações da Pat, A Florista se inspirou para fazer uma camiseta estampada e outros presentes especiais para os participantes do  TedxAmazônia. Saiba mais sobre essa história, aqui.


Mais trabalhos da Pat


Veja mais trabalhos da Pat*

patmontrezol@hotmail.com

* as fotos da Pat para esse post, são da Gleice Bueno

Flor do dia | SUPAKITCH & KORALIE


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, Fazer_visual, flor do dia, vídeo

Vontade de mergulhar nesse balde de tinta.

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SUPAKITCH & KORALIE – VÄRLDSKULTUR MUSEET GÖTEBORG from elr°y on Vimeo.

Wall painting by Supakitch and Koralie

at the VÄRLDSKULTUR MUSEET GÖTEBORG / SWEDEN

With the support of POSCA

www.supakitch.com & www.koralie.net

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Video by elroy : www.elroy.fr

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Music by DLid (quatre rec. / Leonizer) : www.myspace.com/dicklaurentisdead

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http://metroplastique.com – Collection Grand Cru available on October 1st

CHECK ALL METROPLASTIQUE UPDATES ON THE FACEBOOK PAGE : http://www.facebook.com/metroplastique#!/pages/METROPLASTIQUE/172834136271?v=wall&ref=ts

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Agradecimentos: Paulo Tripitelli


  • http://www.tedxamazonia.com.br

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