Pequeno livro – grande porrada
Contos Negreiros, de Marcelino Freire, é uma leitura super-rápida, mas que fica muito tempo
ecoando na cabeça. São histórias ácidas, duras, costuradas com um sarcasmo necessário
para falar de preconceito em um país que não assume o preconceito.
É a prova de que se diz muito em poucas palavras.

“Brasil, do meu amor. Terra de nosso sinhô.” – texto que abre o livro Contos Negreiros.
Marcelino Freire e Fabiana Cozza.

Celulares, fotografia e flores
Na mesma semana que herdei o iPhone, fui apresentada ao Instagram, que começava a ganhar adoradores e viciados mundo apple afora. Na verdade, graças ao twitter e facebook, o sucesso foi muito além do mundinho da maçã. Fiquei boquiaberta com as primeiras fotos compartilhadas. Foi mais ou menos como quando vi a primeira imagem feita com a Holga (toy câmera).
O formato quadrado e alguns filtros do aplicativo deixam as imagens com aquele charminho vintage lomográfico que já foi tendência, virou moda e até enjoou. Mas, o Instagram renovou isso tudo. Não estou falando da “popularidade” e nem dos novos filtros que surgem e são rapidamente incorporados pelos usuários, mas dos fotógrafos-revelação.
Descobri que sou muito mais voyeur na rede instagram, do que fotógrafa. Adoro ficar olhando as imagens produzidas por gente que, acho eu, sempre gostou de fotografia, mas não chegava a fazer dela nem hobby, nem forma de expressão. Há também aqueles que andavam preguiçosos e graças ao vício do aplicativo voltaram à ativa. Como a prática faz o mestre, tá bonito de ver.
Noite dessas, o assunto Instagram surgiu enquanto nós floristas conversávamos sobre o site e a proposta de inspirar, motivar o processo criativo e incentivar as pessoas a desenvolverem seus talentos e gostos. Pensamos, ora, temos aqui uma galeria. Vamos convidar os “instangrammers” para fazer parte dela esta semana.
A proposta é construir um poema visual coletivo, a partir da interpretação de uma frase que escolhemos como ponto inicial.
O que você precisa fazer, é simplesmente tirar uma foto e compartilhar no Instagram, Facebook e Twitter colocando na legenda ou no comentário da foto a hashtag #aflorista. Bora?
A frase é:









Da Debora Barros, via celular

Da Kakau Gomes, via celular

De Vera Ligia Souza, via celular

De Renata Nascimento, via celular

De Andrea Pasquini, via celular

De Susana Paiva, via celular
Sonhos geraram
Meses gestaram
Forças romperam
Vidas brotaram naquilo que é puro
Seivas nutriram aquilo que é tanto
Pois parir pro mundo o que se tem feito
É regar na Terra aquilo que é Santo
Fazer o que se gosta é florescer.
Feliz 2011 e obrigada por fazer parte de nosso jardim.
@–;—
São os votos das Floristas,
Dani, Karine e Gleice


Espinhos de rosas e perfume de jasmim, por Susana Paiva
Hoje as flores do seu jardim brotam sem você estar aqui.
Algumas memórias que me rodeiam têm o perfume do seu jasmim, outras, a dor dos
espinhos que muitas vezes te feriam.
Mas você, satisfeita e feliz, como alguém que recebera um presente, mostrava as marcas
que eles haviam feito: “São arranhões de rosas” – Me dizia. E eu simplesmente não entendia.
Hoje tento buscar em algum lugar uma resposta para retornar àquele tal sentido das coisas.
Das cores, das flores.
Quando me percebo, estou rezando!
E então a minha memória me faz voltar ao primeiro dia em que você me ensinou a rezar.
Frases simples, pequeninas e tão cheias de inocência. Eram palavras do tamanho do meu
tamanho, simples como meus sonhos, tão inocentes quanto as minhas crenças.
E que me faziam dormir em paz e segura de estar “segura” por um milagre vindo de tão
poucas palavras.
No dia mais triste de toda a minha vida, eu ainda rezei. Dessa vez, não para dormir e sim para
pedir que outro milagre pudesse vir.
Pedi a Deus tanta coisa, pedi para te levar sim, pedi para você ficar. E por fim, pedi que fosse
feita a vontade Dele.
Mas no fundo no fundo, pedia sem saber que Ele me fizesse pequenina novamente. E que você
voltasse a ficar grande como antigamente.
Mas nesse dia a pequenina era você, e ainda assim não cabia em minhas mãos. Eu não
consegui te segurar e fazer você ficar. Então, de um jeito criança comecei a chorar.
Você foi embora e eu nem sei pra onde, escorregou por entre meus dedos, deixei ir…
Ao sair depois de me despedir, senti minha história ficar para trás. Vi um pedaço meu fenecer,
e eu nada pude fazer.
Hoje, as flores do seu jardim ainda continuam brotando. Estranho! Porque você não está aqui.
Eu fico pensando que talvez os espinhos tivessem este fim, proteger as rosas para mim.
Ainda me lembro de uma vez em que perguntamos uma para a outra se existia um “outro
lugar” onde tudo pudesse continuar. Eu te disse que precisava existir, senão, não haveria
sentido “existir”.
E ainda hoje, quando dou por mim…
Ainda posso rezar aquelas pequeninas frases que você um dia me fez decorar.
Mas dessa vez eu peço para acreditar, que algum dia vou te reencontrar. E que valeu a pena
sentir a dor da sua partida, nunca da sua perda.
Como arranhões de rosas, certamente!
Pequenina que fico peço para compreender que não existe um fim. Até mesmo que eu me
sinta feliz por ter me ferido com os espinhos… Aqueles, das rosas do nosso jardim.
E que de modo tão simples assim, eu ainda continue rezando , acreditando no que vem depois
e nas coisas boas que podem continuar.
Para enfim, um dia encontrar este tal lugar, onde você certamente vai estar.
Com suas mãos sujas de terra e um sorriso largo a minha espera.
Satisfeita e feliz, plantando rosas e jasmins.

Escrevi cada detalhe dela em letras miúdas. Queria tudo numa única página.
Criei o tamanho dos olhos, o cheiro do cabelos, as ranhuras dos joelhos. Inventei o seu
gosto pelas coisas e as coisas de que gosta. Só eu sei o que ela pensa, sem que ela me
conte. Comigo ela não fala. Mas sou eu quem decide seus amigos, anseios, sucessos e
fracassos. Eu caminho os seus passos.
Uma vez, a coloquei parada numa cama de hotel por horas. Sozinha, chorando a perda de sua
paz. Mas as palavras são quase infinitas e a história continuou.
Também dei coisas lindas à ela; mergulhos em azuis profundos, amigos brilhantes, corridas
no meio do mato, pulos em cachoeiras, amores viscerais. Eu mais lhe dei do que lhe tirei. Não
possuo borracha que apague.
A página já está quase acabando, mas ainda faltam poucas linhas. Faz tempo que não me
debruço nesse papel. Talvez eu me inspire e vá até o fim. Talvez tenha muita coisa ainda e eu
precise apertar mais a letra.
Às vezes, eu penso se eu também sou personagem. Uma invenção de alguém muito só que
tem em mim a mais perfeita companhia. Alguém que sabe tudo o que eu sinto, sem que eu
diga uma palavra. As palavras nunca cabem numa única página.
Mobilize seus amigos e faça acontecer!
Incentive ideias e pessoas em que acredita.

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