No dia dos namorados fui ao lançamento do livro “Nuvem Feliz” (Editora 34) , escrito por Alice Ruiz e ilustrado por Edith Derdyk.
E lá estavam as duas – lindas mulheres, tão felizes quanto a nuvem da história. E eu que sempre me angustio com o inevitável envelhecer, percebi que, embora o vento já tivesse soprado sua juventude, elas são leves e belas. Como algodão. Como nuvem que se transforma e, seja qual for sua forma, faz a vida continuar.
“A nuvem se chora toda”, assim como a arte de Alice e Edith molha nossos dias, fazendo brotar beleza.
Gavin Pretor-Pinney, em seu livro “Guia do Observador de Nuvens“, disse que o céu azul é uma chatisse-monótona. Um lugar sempre igual, sem movimento. Sua adoração pelas esculturas no ar o fez criar a Sociedade dos Apreciadores de Nuvens que vale a pena você conhecer e contemplar as maravilhosas imagens lá de cima.
Também vale a pena ler o livro de Alice e Edith. Uma nuvem de felicidade sobre a efemeridade da vida.
Olha pro céu e imagina:
Quanta cor com o azul combina?
(Karine Rossi)

“Nuvens costumam ser muito temperamentais. Qualquer ventinho as empurra de um lado para o outro, e assim elas mudam de cor, e de humor, a todo momento. Mas uma coisa é certa: toda nuvem, desde pequena, sabe que um dia terá de chorar. Numa prosa que vem e vai como uma nuvem, e com desenhos que exploram as várias possibilidades da linha e da mancha, Alice Ruiz e Edith Derdyk criaram um livro poético e delicado, cujo final surpreende por sua generosidade diante da vida.” (via @editora34)

Algumas imagens do livro

Algumas imagens do livro

Eu com a cabeça nas nuvens felizes :) (móbile criado pelas autoras para o lançamento do livro)
Se você também é um apreciador de nuvens, aí vão algumas imagens do site de Gavin Pretor-Pinney:






Tem alguma imagem de nuvens, céu… (foto, ilustração)?
Manda pra gente que vamos publicar nesse post! Manda mesmo, vamos fazer uma galeria de “nuvem feliz” :)
Envia aqui.
Karine Rossi
E nas minhas andanças e pesquisas sobre o Circo me deparei com esse livro na Fnac de Pinheiros e cho-rei.
Ele é enorme, do tamanho de um A3, capa costurada em tecido, daqueles de arrancar suspiros… mais um dos livros de arte absurdos de lindos da TASCHEN.
Você conhece, né? A Taschen é uma editora alemã de livros de arte, responsável pelas publicações mais elaboradas, quando se fala de um “projeto livro”: desde o papel, a qualidade de impressão, imagens e conteúdo, é claro.
Dá uma olhada nesse e você vai entender um pouco sobre o que estou falando:
THE CIRCUS – 1870-1950 – Noel Daniel







Quem quiser comprar, clica aqui
O autor também escreveu um sobre mágica, também editado pela TASCHEN, guenta:

Queremos todos, né?
Bem, durante algum tempo vou trocar com vocês o processo de criação desse livro que estou fazendo para o curso do Odilon e Fernando, do Tomie.
Uma vez que se está nele, outros mil caminhos surgirão, nos conduzinho para lugares que muitas vezes nem imaginávamos que iríamos chegar, ou que existiam. Cada fase desse processo, com certeza nos leva para outro nível de evolução e jamais seremos os mesmos. Taí uma imagem, você viu?
Tem outra também que acho que representa muito bem: imagine que um processo de criação é uma casa nova, repleta de janelas e portas fechadas e, ao adentrar, você precisa abrir cada janela e cada porta para que a luz possa entrar e você conhecer a casa. Para tua surpresa, cada porta e cada janela que abre, há um cômodo mais interessante, mais belo do que o outro e cada janela revela uma nova paisagem jamais vista por você antes. Cada um desses cômodos e cada uma dessas paisagens, são uma, duas, três, quatro… mil possibilidades de se descobrir e conhecer algo.
Então… Falando em debruçar-se sobre uma história… Eu estava aqui pesquisando sobre o circo, mais especificamente sobre a figura do palhaço e não pude deixar de notar algo que talvez já tenham notado, mas eu acabo de vislumbrar e fiquei impressionada. Sabe aquela história de que “qualquer semelhança é mera coincidência”, ou, nada se cria, tudo se copia…? Eu também trabalho na área de criação da Disney e todos os dias, vejo as imagens dos personagens, suas histórias, etc e cá estava eu pesquisando o figura do palhaço e vendo a imagem do Chapeleiro Maluco no filme de Alice, de Tim Burton, interpretada pelo Johnny Depp e fiquei chocada! Sim, o Chapeleiro do Tim Burton, é um palhaço! Na maquiagem, no figurino, no gestual, até.
Dá uma olhada, hã?

Nada se cria, tudo se recria :)
E isso vem reconfirmar o post que falava sobre a pesquisa de imagens para se contar uma boa história, construir um personagem, etc. Talvez Tim Burton tenha realmente se inspirado no palhaço, ou talvez, essa imagem dormisse em algum lugar de seu inconsciente e tenha sido “acordada” com a narrativa do personagem Chapeleiro Maluco de Lewis Carroll, que, para Tim, fizesse lembrar a figura do palhaço.
Na Psicologia analítica, o psiquiatra suíço C.G. Jung, chamou esse fenômeno de “arquétipo”. – Arquétipo (grego ἀρχή – arché: principal ou princípio) é o primeiro modelo de alguma coisa. Resumidamente, pois esse é um outro loooongo assunto, significa que durante muitas gerações de nossa existência, carregamos algumas imagens primordiais, que se revelam por repetição de uma mesma experiência, ou símbolo e essas, ficam armazenadas no que ele denominou inconsciente coletivo, ou, a camada mais profunda da alma humana, constituída por “materiais” herdados da humanidade.
E como será que podemos trabalhar, reconhecer, acordar e se utilizar dessas imagens que dormem em algum lugar de nossa alma?
Será possível oferecer novas imagens? Qual a relação entre essas imagens, símbolos e saúde?
Aguardem – Próximos POSTS !
Há dois meses comecei um curso no Instituto Tomie Ohtake que há muito tempo queria fazer.
O curso é sobre a imagem narrativa e ilustração de livros, criado e orientado pelos professores, escritores, ilustradores, mestres, ambos autores e co-editores da editora Cosac Naify: Odilon Moraes e Fernando Vilela.
Meu interesse em fazer esse curso eram vários: aprofundar, praticar e pesquisar mais e mais esse universo que tanto me fascina das ilustrações e do uso dela como linguagem narrativa.
Tanto a linguagem imagética, quanto a linguagem da palavra escrita são universos que pesquiso e me interesso desde sempre. A descoberta mais incrível desse curso, revelada pela paixão, respeito e erudição de Odilon e Fernando têm sido a surpresa que se apresenta quando nos dedicamos à tarefa de combinar a poética e a imagem e construir uma narrativa. E, se a ilustração, diferente das artes plásticas, se dedica a contar uma história, mais uma vez se confirma o quão vasto, complexo e intuitivo também é construir uma boa narrativa e imagens que a revelem.
Dizem, que a palavra e a imagem nasceram no mesmo lugar e que a magia é recombiná-las. Ora, isso não seria o que faz também um roteirista, um diretor de arte de cinema, publicitário, um designer, enfim?
Existem várias formas de se trabalhar com ilustrações. Todas elas, envolvem o “suporte” que irá mostrá-las. Existem as ilustrações publicitárias, jornalísticas, as ilustrações para um livro e até para as narrativas digitais que estão aí, cada vez mais presentes no mercado editorial do século 21. O que eu sei, é que, até para a arte do cinema que se utiliza de outros recursos, como o audio-visual, tudo começa com um rabisco, com um traço, uma linha. Quando se inicia a direção de arte, a pesquisa envolve, assim como na ilustração de um livro os mesmo aspectos, são eles: como e com quais imagens, texturas, cores, etc.. vai se contar aquela história? E, para toda e qualquer história bem contada também imageticamente é necessário, muita, muita pesquisa.
Como contadora de histórias também, a cada dia, acredito veramente de que somos escolhidos pelas histórias e que elas vão nos conduzindo sabiamente para aonde querem ser levadas e como querem ser contadas. Um bom livro? Uma boa história? Uma linda ilustração?
Talento existe, mas há que se debruçar e se apaixonar sobre teu projeto, para que ela seja realmente uma boa história, além de um lindo livro ilustrado :)

“O ilustrador é um escritor e sua palavra é a imagem”.
Odilon Moraes.
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