Carol Abdo | Flores para sonhar


por Daniela Scartezini
Design, Ilustração, Palavras, as rosas falam, flores

A Menina Carolina

“Há três anos atrás ela me fez um convite daqueles de tirar o sono. Na mesma hora me apaixonei, e entrei em pânico pela ideia.

Suely, a psicóloga, me convidou para escrever as “histórias de Carolina”. Assim como ela, precisava que alguém mergulhasse de olhos abertos nas imagens que a menina trazia de seus sonhos e, feito o vínculo (inevitável), costurasse tais imagens e sonhos e desenhasse em palavras para serem entregues ao mundo.

Dizia ela: – “Carol é menina especial. Dessas que ao conhecer não conseguimos desgrudar os olhos. Conta histórias incríveis, sonha escrever um livro.”

Eu era uma estudante da Arteterapia. Estudava as histórias e como os contos e o trabalho artístico por meio delas, poderiam serem utilizados no trato da alma.

Passadas algumas noites, intrometida que sou, aceitei o mergulho.

Em nosso primeiro encontro eu não sabia se faria por Carol o que ela esperava de mim. Mas tive certeza do que ela faria por mim. A menina agradecia meu aceite em trabalhar com ela. Mal sabia ela – quem agradecia era eu.

Durante um ano, semanalmente, tínhamos uma hora marcada para subir em caravelas, conversar com animais, encontrar seres dotados de dons mágicos, falar sobre amor, saudade, medo de lobo, brincadeiras de criança, fazer coceguinhas e rir, rir, rir….muito. Chorar muito também! A danada da menina, vez ou outra, fazía-me vir às lágrimas. Coisa inevitável de acontecer no convívio com Carol. Era desconcertante para mim, “menina perfeita”, saudável, plena de minhas faculdades, ter alí, diante de meus olhos, àqueles olhos tão vívidos da menina Carolina – tão certos de sua capacidade de realizar qualquer um que fosse seu sonho.

O tempo foi passando e a menina foi crescendo, se tornando uma gigante. Ou, talvez eu fosse ficando pequenina diante dela.

Pensava eu saber algo, ser “gente-grande” e informada da vida. E toda vez que a encontrava, a menina me ensinava a rir de verdade, chorar prá valer, acreditar de doer, brincar sem esquecer de crescer, sonhar para crer. Com Carolina aprendia a desaprender o que deveria aprender de novo.

Até que chegou o dia em que abri a porta e deixei do lado de fora qualquer teoria para seguir o que a menina me ensinava todos os dias: seguir o meu instinto. Sim: conhecer o significado da palavra “sabedoria”. A magia aconteceria em algum momento que tudo isso encontrasse com o conhecimento, sem que ele ficasse à frente, mas simplesmente fosse ele a partitura para que escrevêssemos nosso sonho, nossa história.

Abri meus ouvidos e escutei.  Não sei ao certo, quem contou para quem. Encontramo-nos nesse lugar de animais encantados, lobos e princesas e alí vivemos por um tempo.

Depois da menina Carolina, digo que contos de fadas existem. Eu, ela, sabemos que sim.

É verdade. Tire os óculos. Taí, não vê?

Rebeca, a menina loba, nasceu. Forte e saudável.

Dizem que é hoje, a mais bonita da escola.

Dia 15 de janeiro, às 10:30h, na Livraria da Vila, Al. Lorena, 1731, será lançado o livro: Rebeca, conto de uma menina-loba, de Carol Abdo. Resultado do processo terapeutico de Carol.


Sinopse do livro:

Rebeca era uma menina diferente: desde muito pequena adorava histórias de lobos e de vez em quando, sentía coceguinhas e ria, sem entender o motivo. Seu maior sonho, era ver um lobo de verdade. Não entendia por quê as pessoas tinham medo de lobisomem. Para ela, alguém que podia virar um lobo era maravilhoso, fascinante!

Acompanhada de seus amigos animaizinhos , Rebeca vive em busca de realizar seu sonho. Ela vai crescendo até que um encontro com sua avó, revela que Rebeca também é um ser mutante.

Nesse conto de aventura narrado em versos rimados, acompanhar a pequena menina loba em seu crescimento e entendimento sobre seu dom especial, é uma forma delicada, emocionante e divertida de as crianças transformarem o olhar para as diferenças, ou simplesmente para àquelas crianças especiais, lidarem com sua “diferença” como um dom.

Além disso, a menina mutante evoca a importância da família, da amizade e do amor em favor da aceitação, da inclusão e superação. Para todas as crianças e adultos que em algum momento de sua trajetória, vão lidar com a diferença. Principalmente, às crianças mais que especiais.



Escrever sobre Ana Carolina é tarefa árdua.

Talvez ainda não hajam palavras capazes de descrevê-la, sem reduzi-la, ou esteriotipá-la.Ana Carolina é uma mulher incomum.

Uma mulher especial. Mulher que nos desafia. Encanta e emociona.
 Dessas, que quando trocamos um olhar nos faz lembrar que qualquer sonho é possível. Ou enfaticamente: que viver, é para ser Grande.

Com ela aprendi sobre uma qualidade de amor até então desconhecida: amor puro de um coração de criança em uma alma de mulher.

Carol é uma verdade desconcertante.

Mulher que conta histórias e nos conduz a um imaginário fantástico de paisagens que todos nós deveríamos visitar.

Em seu primeiro conto, tive a honra de ser sua “maestrina”. Empresto o termo por tê-lo como mais acertado ao descrever o papel de minha “personagem” nessa história.

Pois foi essa a função que exerci: reger a composição de Carol, arranjá-la e traduzí-la em partitura.

Dizem que o termo “contar”, vem do verbo “cantar”. E tal qual música, esse é um conto de Beleza para se ouvir com o coração e cantar a todos.


Durante o processo criativo de Carol, descrevemos, interpretamos e desenhamos cada um dos personagens. Falamos sobre suas características, personalidade, etc…

Ao vislumbrarmos a possibilidade de fazer o livro da história de Rebeca, a menina loba, foi difícil encontrar um ilustrador que aceitasse o desafio de ilustrar a história, e que, principalmente, conseguisse retratar a linguagem que Carol queria para seu  livro, além da identidade de seus personagens, tão ricos em características, etc.

Foi aí que encontramos o Alê Venancio. Designer e ilustrador de um talento (e sensibilidade), só. Iniciou-se a segunda parte desse trabalho. Durante mais um ano, Carol, Alê e eu, fomos desenvolvendo cada uma das ilustrações dessa história, com o intuito de sermos muito fiéis às imagens “mentais” da Carol.

Para ver mais, aparece lá.*

Sábado, agora, dia 15/01, às 10:30, na Livraria da Vila da Al. Lorena, 1731.

O trabalho de editoração e design gráfico do livro é da designer Angela Mendes.



“… Resultado do trabalho desenvolvido com a arteterapeuta Daniela Scartezini, Rebeca, conto de uma menina-loba é um livro de aventura, com uma pitada de romance e ficção, em que Carol coloca muitos elementos de sua própria biografia. “Rebeca tem um pouco de mim, ela é doce, carinhosa, uma menina feliz”- diz Carol. Para Daniela Scartezini, a publicação é fruto da força de vontade de Carol e do seu desejo em ser reconhecida por seu trabalho. “A Carol teve coragem para superar suas dificuldades e desenvolver algo que a desafiasse e ao mesmo tempo servisse como guia para crianças e pessoas com necessidades especiais”.”

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Flor do dia | Alê Venancio


por Daniela Scartezini
Design, Ilustração, flor do dia

Dizem que a “sensibilidade é uma porta de entrada das sensações”.
Assim é o Alê: designer, ilustrador e sensível.

Alê é sócio da agência OPORTO e como não poderia ser diferente… sim, ele trabalha muito. Dia, noite, noite e dia para ser criativo e atender aos prazos de seus clientes.

Ele adora o que faz e dentre seus mil “fazeres”, tem um que é a menina dos seus olhos amarelos: as histórias em quadrinhos. Escreve e ilustra diversas delas em qualquer tempo livre que tem. E chama esse tempo de “tempo para mim”. “Tempo para mim”, leia-se: fazer aquilo que o alimenta, faz os olhos brilhar e inspira a continuar sendo criativo.

Para ele, a criação é principalmente articulada pela sensibilidade e fazer o que mais gosta é deixar a porta para a entrada das sensações abertas.

“O dia-a-dia maluco que vivemos, cheio de obrigações, responsabilidades, submersos pela paisagem da metrópole, onde não há horizonte…tudo isso vai fechando nossas portas das
sensações e vamos ficando “duros”, impermeáveis, distantes de nossa essência. Viajar, entrar em contato com um mundo novo, uma amizade de verdade e principalmente
buscar fazer aquilo que realmente faz o coração pulsar, é fundamental para me manter vivo e feliz.”

Em seu “tempo livre”, Alê cria suas histórias em quadrinhos e trabalha em um projeto para lançá-las em um
livro.

Além de tudo isso ;) ele acaba de lançar o site “Sem Orelha”, um site de graphic novels independentes divididas em capítulos.

Uma delícia de ler – inteligente, divertido!

Vai um quadrinho aqui prá você conhecer um pouco desse trabalho :)


Alê foi o ilustrador do livro Rebeca, Conto de uma Menina-Loba, de Carol Abdo.


Sobre ilustracão de livros “infantis”


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, Ilustração, vídeo

Eu particularmente tenho verdadeiro fascínio por ilustrações de livros – principalmente pelos “infantis”. Digo “infantis” entre-aspas, porque é difícil julgar o que é o universo infantil. Uma vez, em um curso sobre ilustração no instituto Tomie Ohtake, discutimos muito esse assunto com o professor Odilon Moraes, ilustrador (e pessoa) incrível da Editora Cosac Naify. O ponto é que não deveríamos classificar a literatura dessa maneira. Um livro “para crianças” traz um conteúdo que pode atrair a qualquer um, de qualquer idade. A classificação “infantil” rotula seu conteúdo, limitando seu entendimento. Quando escrevi o conto de Rebeca, Conto de uma Menina-Loba, com Carol, senti muito essa dificuldade. O livro é para qualquer idade! Não tem essa de “para criança, ou para adulto”.

Você não acha?!

Pat Brandstatter | Flores para durar


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, Ilustração, Moda, flores, tedxamazônia, vídeo

Enquanto o tempo voa e todo mundo quer chegar logo, há pessoas que fazem questão de não encurtar o caminho. E ir no seu ritmo. Leve o tempo que levar, dure o tempo que durar.

A Pat Brandstatter é meio assim, atemporal. Um jeito de menina, mas a certeza madura da importância do prazer em seu fazer. Ela é ilustradora e adora desenhar plantas e flores em papeis, madeiras, paredes e tecidos. Talvez, porque aprecie o transcorrer da natureza – ver a semente brotar, crescer, florescer… São dela as lindas ilustrações das camisetas e postais que A Florista e a Colmeia vão entregar como presente no TEDxAmazônia, que tem como tema “Qualidade de Vida para Todas as Espécies”.

E quanto tempo cada espécie leva para evoluir? Pat não tem pressa… Seu desejo é seguir se transformando.

Pat Brandstatter | Flores para Durar from A Florista on Vimeo.

* Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu, Dani Scartezini (quem captou as imagens), não tenho nenhum talento para filmar :). Mas… não dava prá perder a Pat falando. Desculpem a “rusticidade” e aproveitem o estilo feito à mão (que treme, rsrs).


Por Pat Brandstatter, para A Florista

“Fui uma criança tímida e introspectiva, passava muito tempo lendo e desenhando. As histórias me transportavam para universos mágicos e o desenho era um meio de experimentar, contemplar e me relacionar com o mundo.

Gosto de desenhar observando as formas, é um processo de encantamento e intersubjetivação. Muitas vezes, quando volto totalmente a atenção para um determinado objeto, seja vivo ou inanimado, com a intenção de representá-lo, entro quase em estado meditativo, as relações espaço/tempo são suprimidas e é como se aquela imagem que está nascendo mantivesse, juntas, a realidade do objeto em si e sua existência em mim. Através dela me reconheço e reconheço o outro em intimidade.

Tanto no desenho como na vida, procuro respeitar os movimentos naturais, as necessidades íntimas… Cada passo é uma pequena descoberta para a construção de sentido e, assim, não consigo visualizar fins de processos. É como se os meus desenhos, gravuras e pinturas nunca terminassem, paro por uma necessidade prática (um prazo de entrega, por exemplo), mas sinto que eles retomam de onde estavam para continuar seu caminho no próximo, que será só mais um dos infinitos passos. Me encantam os processos de transformação natural, a percepção de que o tempo registra sua ação nas faces da matéria e que cada um dos seus estados têm a sua beleza.

Acredito que temos que estar muito atentos para seguirmos o melhor caminho possível em tudo o que vamos fazer e, para mim, percebo que a melhor forma de isso acontecer é quando respeito as minhas necessidades interiores. Sinto que para serem verdadeiros a minha vida e aquilo que posso criar devo ter muita liberdade, a liberdade que não ultrapassa o espaço e o respeito pelo outro, mas que pode sim contrariar ensinamentos e desejos pré estabelecidos socialmente.

Percebo, através do meu próprio processo, que a arte pode ser um meio libertador e de sensibilização para uma aproximação das essências de si e do outro. Ainda pesquiso formas de dividir essa experiência com muitas pessoas, mas já fico muito feliz de poder expor um pouquinho dela aqui.

Gosto e me identifico muito com as filosofias do artista russo Wassily Kandinsky e do filósofo francês Henri Bergson, então reescrevi frases de ambos porque acredito que sintetizam uma parte importante do que penso sobre arte e vida…”

“Todos os procedimentos são sagrados, se são interiormente necessários”.

(KANDINSKY, Do Espiritual na Arte, 1996)

“Quanto mais aprofundamos na natureza do tempo, mais compreendemos que a duração significa invenção, criação de forma, elaboração contínua do absolutamente novo”.

(BERGSON, A Evolução Criadora,1979)


Ilustrações da Pat Para o TedxAmazônia

A partir dessas ilustrações da Pat, A Florista se inspirou para fazer uma camiseta estampada e outros presentes especiais para os participantes do  TedxAmazônia. Saiba mais sobre essa história, aqui.


Mais trabalhos da Pat


Veja mais trabalhos da Pat*

patmontrezol@hotmail.com

* as fotos da Pat para esse post, são da Gleice Bueno

A Florista na floresta


por Daniela Scartezini
as rosas falam, tedxamazônia

(Dani Scartezini)

Ano passado, participei da primeira edição do TEDxSP. Em um sábado, nos reunimos com diversos pensadores brasileiros, de diferentes áreas de conhecimento, para falar sobre como o Brasil poderia contribuir para construir, na prática, um mundo melhor.

Foi um dia transformador, com muitas sensações, ou emoções, eu diria. Experimentei da impotência ao êxtase e senti alegria genuína ao ver e ouvir tantas histórias de pessoas que fazem sua parte para termos um mundo melhor. E o mais interessante foi perceber que esses “fazeres”, que às vezes mudam o mundo, variam do mais simples até o mais sofisticado em termos de estudos, pesquisas, etc.

O evento durou o dia inteiro e, ao longo dele, percebi nitidamente a transformação dos rostos durante as conversas nos intervalos, os questionamentos e sensações que latejavam. Para mim, o que aquela experiência transformou de mais evidente em todos – e talvez não seja por acaso que criamos esse blog :) – foi a relação de cada um com o seu “fazer”.

Arrisco dizer que todos, sem exceção, olharam para os seus crachás, que traziam o nome do lugar onde trabalhavam, e questionaram se “o fazer” deles era algo que poderia contribuir para um mundo melhor.

Eu fui uma dessas pessoas e afirmo que estar em um evento como os promovidos pelo TED é muito diferente de ler a respeito. A experiência é assimilada de outra forma e contagia.

Cá estamos. Após um ano do TEDxSP, nasceu A Florista. Sim, nós falamos sobre esse tal FAZER e exaltamos histórias de pessoas cujo fazer “faz bem” ao mundo e inspira os outros a seguir o mesmo caminho.

Quando fiquei sabendo do TEDxAmazônia, pensei: eu quero ir. Ou melhor: A Florista tem que ir! Quero beber daquilo de novo, quero ajudar, quero estar perto dessa gente :)

Liguei para a organização, mandei email. A resposta veio na hora e, como já era de se esperar, fomos recebidas da melhor maneira possível. Daí prá frente, foram só “boas respostas e bons sinais”. Criamos a oportunidade e oportunidade fez a hora, sabe?

“Mergulhei” na floresta amazônica, nas flores, no tema do TEDxAmazônia: “qualidade de vida para todas as espécies” e encontrei o que procurava na pesquisa “Impact of the hydraulic capacity of plants on water and carbon fluxes in tropical South America”,  de Kevin Boyce, que diz:

“a transpiração das plantas com flores tem papel essencial na biodiversidade amazônica. Sem essas flores a floresta teria uma zona tropical úmida 80% menor que a atual”.

Confira aqui a entrevista exclusiva que Boyce deu para A Florista.

Essa história das flores da Amazônia nos inspirou tanto que, assim como o TED, quisemos espalhar essa idéia. Porém, somos “floristas” e nossas “flores” são pessoas e seus fazeres. Assim, cultivamos e arranjamos toda essa ideia para poder de alguma forma fazer com que levassem essa flor para casa.

Recebam nossas flores.

PS. Esse ano nosso crachá vai escrito : A Florista (!!!) YES!


@–;—
A Florista agradece a todos que colaboraram e colaboram (um especial para nosso programador querido: Camilo Saraiva) para que esse nosso “jardim” esteja acontecendo.

  • http://www.tedxamazonia.com.br

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