A responsabilidade de contar histórias


por Karine Rossi
flor do dia, vídeo

Sim, nós somos contadoras de histórias. Aqui, compartilhamos histórias sobre pessoas e seus fazeres. Contamos como o criar está relacionado com a forma das pessoas se relacionarem com o mundo. E, muitas vezes, como tudo isso transforma sua maneira de viver, relacionar-se, pensar, etc. E porque fazemos isso? Por acreditar no potencial que uma história tem de mudar outra história. Pois é, pode parecer que não, mas esse fazer de contar histórias é sério, muito sério. Já parou para pensar se houvesse apenas uma história para contar ao seu filho? Ou, se apenas houvesse uma história sobre a criação do mundo, ou, apenas uma sobre a beleza e assim por diante? Aonde estaríamos agora?

É sobre o perigo da “história única” que a romancista Chimamanda Adichie, conta a história de como descobriu a sua voz cultural – e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.

Parafraseando Saramago: “Se queres conhecer uma coisa, dê-lhe a volta toda.”

Para viver um final feliz | A história da Florista


por Daniela Scartezini
Design, Fazer_visual, Ilustração, as rosas falam, flores

Hoje abriram as inscrições para o TEDx Amazônia. Fui lá me inscrever (óbvio!) e me deparei com aquele formulário (que eu adoro), mas que é tão polêmico. Tem gente que se incomoda em ter que contar sua história, ou ter que justificar por que seriam pessoas interessantes para estarem lá.

Eu acho justo e digo mais: a participação no TED, essa conferência mundial que tem o ideal de espallhar boas idéias pelo mundo, começa aí. Ao ser questionado com perguntas como: “o que você fez de interessante na vida, ou, conte um pouco quem é você”, há que se pensar. E se você não tem preguiça quando quer muito alguma coisa, com certeza vai se dedicar em responder da melhor maneira possível. Aí, você já está mostrando por que você é interessante, além de ser um exercício muito importante (acho eu) pensar na sua própria história, se conhecer melhor.

Inspirada por essa idéia, resolvi contar aqui uma história, ou melhor, a minha história, consequentemente, a da A Florista :)

Para quem quiser ouvir, ler……..

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Senta, abre a roda que a história vai começar.

Eu estudei na Escola Vera Cruz, uma escola construtivista. Na minha época (tenho 32 anos) era algo ainda bem incomum. Os pais que colocavam seus filhos nessa escola, eram tidos como “hippies”, artistas, idealistas, etc.

Eu gostava da aula de Artes. Queria ser “desenhista” quando crescesse. Também tinha muitos, muitos amigos. Gostava de falar :) Uns anos a mais e me apaixonei pelas aulas de literatura, pelo professor de poesia, por cantar na aula de teatro.

Aos 14 anos, meu pai faleceu. Maior baque. Um soco no peito, mesmo. Aquelas coisas que ninguém explica. Meses depois como um presente da vida, no 1ºcolegial, conheci meu primeiro amor: ele era músico e descobri que eu tinha até um talento para cantar. Entrei para a banda dele, a qual 3 dos integrantes eram ninguém menos do que os filhos dos “caras dos Novos Baianos“. Eles mesmos: os filhos de Pepeu e Baby, de Paulinho Boca de Cantor, etc. A gente cantava desde Bob Marley, até… Novos Baianos. Nas escolas, festivais ( Fest Valda, nossa…) A gente arrasava. Éramos “A Banda Jamal” e cantávamos em casas para maiores de 18 anos, mas ninguém na banda passava dos 17 :).

Aos 16 anos, me preparando para entrar na faculdade de Desenho Industrial e “ser a tão sonhada desenhista”, outra fatalidade:  fiquei doente. Muito doente. Câncer malígno. Pronto. Aquele desespero, medo de morrer, quimioterapia, radioterapia… E veio outro presente: a descoberta da espiritualidade. Conheci o Templo Guaracy, casa que freqüento até hoje e, junto à todos os tratamentos médicos, veio a superação da doença e meu renascimento. Durante 2 anos, enquanto todos meus amigos estavam em festinhas e viagens, eu estava “me curando” e rezando – muito. Valeu a pena :). Lá, eu conheci o que era realmente doar-se para “ajudar” alguém e o valor da saúde física, emocional e espiritual.

“CDF” como sempre, eu não parei de estudar, não. E aos 17, entrei na faculdade Belas Artes, em Desenho Industrial. Aos 19 anos, em 1998, quando ainda se falava de “surgimento da Internet”, eu estava na escola Politécnica da Usp, na engenharia Elétrica (pasmem!!) em meio à um bando de engenheiros, aprendendo a programar sites “na unha”, em um laboratório de pesquisas, financiado pela Fapesp. Desenhava interfaces para novas plataformas, imagina você.  Meu TCC, na faculdade, acabou sendo (lógico) um site sobre design. Um site que contaria histórias sobre criação, designers, traria referências, etc.

Pois é. 14 anos depois, passei por agências de publicidade muito conhecidas, estúdios de design descolados, tive meu próprio estúdio e, com essa “bagagem”, vira-e-mexe, eu estava insatisfeita. Queria saber mais aonde essa “história de criar”, de ser feliz e saudável, poderia me levar. Não poderia ser só aquilo: “trabalhar, ganhar dinheiro e pronto.” Eu tinha que fazer mais. Na época, a minha terapeuta me contava histórias durante as sessões. Ah, eu adorava! Sempre gostei: das ilustrações, do que aquelas imagens movimentavam em mim, das palavras contadas por ela, daquela maneira mágica que iam direto para o coração.

E assim… como muitos disseram…. “Pirei”. Larguei “tudo” e pedi demissão da agência que trabalhava, como diretora de arte. Fui fazer cursos de contadora de histórias com grandes educadores e mais tarde, prestei um concurso e me tornei aluna da especialização em Arteterapia do Sedes, instituição ligada à saúde mental, educação e filosofia, de São Paulo. Lá, me dediquei a estudar as histórias pelo encanto que me causavam e como poderia trabalhar com elas terapeuticamente. Inquieta, mais uma vez, questionei a instituição. Ainda “não era isso”.

Adepta da antroposofia, filosofia ligada à Rudolf Steiner, descobri a linha da Terapia Artística e fui para Florianópolis, na Associação Sagres, estudar o ofício de contar histórias e trabalhar com elas em atelier terapêutico. Transformador. Durante 1 ano atendi 3 pessoas realizando o que chamei de terapia dos contos. O vínculo com as pessoas que atendi e a profundidade do trabalho, despertou a necessidade de estudar – mais. Aos 29 anos, prestei vestibular (de novo) em Psicologia e entrei. Durante o primeiro ano da faculdade, a quantidade de pessoas que atendia, ainda era beeeem inferior à quantidade de contas para pagar. Aos quase 30 anos, as responsabilidades eram bem diferentes das que tinha aos 17, na primeira faculdade :).

As agências me chamavam para freelas, eu fazia. E estudava muito. Até que veio uma proposta para trabalhar na Disney. Salário, estabilidade, horário saudável, e o resto você já imagina. Pensei: “bom, sou designer, estudo as histórias, tenho um sonho de um dia escrever para crianças, preciso me reequilibrar financeiramente, estou frágil emocionalmente, a Disney tem um pouco disso tudo, posso aprender…. eu vou! Tranquei a faculdade e 3 meses depois de uma loooonga seleção, eu estava lá, trabalhando como designer, no departamento de criação.

1 ano depois…(eu disse, sou contadora de histórias) tudo estável e calmo – demais. Aquela “coceira” já tão conhecida, vinha incomodar – de novo. A sensação do “ainda não era isso” começava a voltar. Já uma balzaquiana :), dessa vez eu não queria “pirar”, precisava ser mais sábia, eu diria. Foi então, que numa conversa aqui, outra alí, realizei que o maior “drama” de meus grandes amigos hoje, talvez o de nossa geração, está em não fazer o que gosta. E isso sim é qualidade de vida: ter um fazer diário que nos dê prazer e dignidade. Indo mais adiante, fazer o que gosta, é ter um fazer alinhado à nossa essência, mas… que essência é essa? Pensando nisso, surgiam questões, como:  – poderia eu ajudar as pessoas a acordar essa essência, para que ela mostre um caminho e nos diga qual é esse nosso fazer?
Foi aí, que finalmente, nasceu A Florista. Um projeto que brotou da minha necessidade de fazer as coisas que amo, de ter um fazer diário que me trouxesse muito, muito prazer. Assim, eu precisava de algo aonde eu pudesse: desenhar, escrever, contar histórias de gente, inspirar, despertar, comunicar e trocar. Eu queria um Fazer que manifestasse minha essência: que revelasse toda essa história que sou e, de preferência, levasse beleza à alguém. Mais ainda: um projeto que me permitisse aprofundar meus estudos sobre os processo criativos e o que despertam nas pessoas, quando estimulados. Contar histórias reais disso que descubro dia-a-dia: que ao trabalharmos o nosso potencial criativo, essa essência floresce.

É engraçada a vida. Aqui estou eu, novamente, falando e apresentando um site sobre pessoas, criação, etc. Exatamente como fiz lá na faculdade de “Desenho Industrial” (não era Design, não, gente!) E penso que se eu pudesse voltar àquele momento da vida, com a consciência de hoje, eu diria para aquela menina: “Coragem, é isso mesmo, é só fazer o que gosta e acreditar”. Mas, ao mesmo tempo, eu não teria vivido essas “coisas” tão interessantes que eu já fiz na vida e não seria quem eu sou e… Não contaria essa história – que eu gosto muito.

O que eu observo cada dia e agora lendo essa história mais ainda, é que temos um potencial divino dentro de nós e sim, somos capazes de mudar o mundo. Mas para mudar o mundo aí fora, primeiro, vamos ter que mudar o nosso “aqui dentro” e buscar de verdade, essa qualidade de vida que tanto falamos. Se você ainda está buscando esse “fazer o que gosta e viver dele”, a sua essência e viver alinhado à ela, assim como eu… experimente contar a sua história para você mesmo e ficar atento às imagens dela. Em algum lugar dessa “floresta fechada” há de haver uma clareira e nela, vai estar o mapa para chegar ao teu “final feliz”.

“O ofício de perguntar, o ofício de contar histórias, o ofício de ocupar as mãos, são alguns dos instrumentos de meu trabalho – todos esses representam a criação de algo, e esse algo é a alma. Sempre que alimentamos a alma, ela garante expansão.”

Dani Scartezini

Eu, no Sedes, explorando um dos materiais para uso em atelier terapeutico.

Alguns dos trabalhos desse período (Aquarela)

“Auto Retrato” (Aquarela)

Máscara de argila, pintada com acrílica

Logomarca do nosso grupo de contadoras

"As Verinhas" - Grupo de contadoras de histórias

Chamando para a história (participação de Nando, o "Barba", dos Barbatuques)

Contando a história de Hikioshi - um dos momentos mais mágicos da vida

uma das verinhas (ilustração digital)

Foi assim…

e continua :)

A história da vinheta da Florista


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, Ilustração, as rosas falam

Esses são alguns estudos que estou fazendo, caso nosso vídeo seja ilustrado.

Será?

(canso, micropen 0,5, lápis de cor, giz pastel, escaneado)

perceber é conceber_01


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, Ilustração, as rosas falam

Tenho quebrado a cabeça por aqui, desde que tive a idéia de fazer um clipe/vinheta para a Florista.

Digo “clipe/vinheta”, porque realmente ainda estou no processo criativo, sabe como é.
A vontade é de transformar em imagem e som o conceito, ou fundamento da Florista.
Como dizem, sendo um pouco clichê, uma imagem vale mais do que mil palavras :)

Tenho imagens muito reais em minha mente do que é o trabalho dessa Florista, ou, o que é a nossa flor.
E minha mente é assim: vejo tudo em imagens, às vezes ilustradas (!), como um desenho animado. Um pouco surreal, mas é assim mesmo. Parei de tentar entender e tenho feito algumas coisas com isso.

Ás vezes, ouço até a trilha que essas imagens teriam. É a linguagem da minh’alma, eu diria. Pois pouco é racionalizada. E gostaria de mostrar para vocês exatamente como eu vejo. E sinto.

Até conseguir fazer isso virar um vídeo (eu nunca fiz um vídeo) vou contar a história desse processo. Quem sabe você pode me ajudar, dar idéias e a gente fazer um processo compartilhado? Pode ser!

Como eu sempre começo por alguma referência, compartilho algumas delas que tenho guardado nos “meus favoritos”. Elas nos ajudam a visualizar plasticamente o que queremos.
Servem para trazer o que está lá no fundo da mente em algum lugar meio turvo, em imagens claras e reais, aqui da terra :)

Uma vez eu ouvi uma frase que tem muito a ver com isso e jamais esqueci, era assim: “você é tão bom quanto a sua referência”.

Como esse vídeo será feito em parceria com algumas pessoas, as referências são fundamentais para que essas pessoas possam captar visualmente essas imagens mentais.
Recolhi algumas, aí vão:

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clima, cores, textura

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Você pode encontrar algumas dessas imagens aqui:

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http://www.flickr.com/photos/neilkrug/

http://pulpartbook.com/

http://www.flickr.com/photos/cubagallery

http://www.flickr.com/photos/gle/

http://www.flickr.com/photos/pupuateja

http://www.flickr.com/photos/39474827@N02/

http://www.gettyimages.com/

Flor do dia | Tokie Esaka


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, Ilustração, flor do dia

Na categoria “Flor do dia”, sempre começo os posts contando uma breve história da pessoa/autora das imagens, projeto, trabalho, etc, que vou compartilhar.

Acontece que desta vez, as imagens são a própria história da autora e dispensam que eu conte sua história.

Era uma vez… Tokie Esaka:)

Tokie é designer e dirige a criação da Disney no Brasil.

Fez essa história para se apresentar em um workshop da Disney na California, para Creatives Leaders.

O tema era (lógico) Storytelling :)

http://www.facebook.com/tokie.esaka


  • http://www.tedxamazonia.com.br

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