Parar também é verbo


por Karine Rossi
Palavras, as rosas falam, flor do dia

Aqui na A Florista, a gente sempre fala do FAZER. E eu quero compartilhar um fazer que vem me construindo, me constituindo a cada dia. Como todo fazer, trata-se de um verbo: PARAR.

Em 2010, eu parei várias coisas. Parei de trabalhar em agência pra ser freelancer e dona dos meus dias. Parei de fumar pra ver com meus próprios olhos. Parei de ter vergonha e assumi as pick-ups e o meu amor pela música. Parei de andar sozinha e peguei nas mãos dos meus irmãos na Umbanda.

A cada parada, era uma nova estação. Eu tinha flores na alma, sol na cabeça, vento no peito e frio na barriga (não necessariamente nessa ordem e, na maioria das vezes, tudo ao mesmo tempo).

Eu parei e não foi pra pensar. Parei pra sentir… pra me sentir.

Uma amiga me convidou e me iniciei na Meditação Transcendental – MT. Não consigo explicar tecnicamente o poder dessa prática, que não tem nada de esotérica ou espiritual. Deixo isso para os estudiosos, como Eliceu Máximo, que dividiu comigo sua sabedoria de mais de 30 anos no assunto. Aqui está sua tese de mestrado sobre MT em Saúde Pública:

http://www.dominiopublico.gov.br//pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=43454

Explicar, realmente, não dá…  mas vou tentar verbalizar o que eu sinto hoje, depois de seis meses praticando a MT todos os dias.

É como sonhar que estou acordando, aos poucos, gostoso, sentindo o quentinho do dia. E como sonhar, porque é tão fantástico, que não parece um despertar real. Mas é. Uma vez, vi um rosto voando em uma paisagem lisérgica. Durante vários dias, ele visitou meu inconsciente (cada vez mais consciente por causa da prática). Me apaixonei perdidamente pelo rosto, sem saber se era de homem, mulher, velho, criança. Ele aparecia eu o amava, sabe lá por quanto tempo (legal dizer que a prática da MT dura 20 minutos). Um estalo sem som, um clarão sem luz, um susto calmo e o reconheci: o rosto era meu.

Meditando em Delfinópolis/MG

Eu tenho viagens loucas e maravilhosas 2x por dia. A cada volta, o mundo parece fazer mais sentido – e digo sentido, no sentido mais verdadeiro da palavra! Alice Ruiz, a poeta que desperta estados de meditação em mim com seus haikais, já escreveu:

“Lembra o tempo que você sentia, e sentir era a forma mais sábia de saber, e você nem sabia?”

Se você tem vontade de ter contato com coisas que vão muito – mais muito/muito – além da vida que a gente leva e que se pode explicar, procure saber mais sobre a Meditação Transcendental. Aqui, tem resultados de pesquisas científicas, é só acessar http://scholar.google.com.br e digitar “transcendental meditation”.

E olha: se você sentiu algum estalinho aí dentro, pode ter chegado a sua hora de transcender.

David Lynch transcende há 35 anos. Essa semana, fui assistir o documentário “ Transcendendo Lynch” que mostra quando ele veio ao Brasil lançar seu livro “Em águas profundas”.

Haikais que brotaram durante minhas viagens transcendentais – sempre em imagens, que depois eu “transcrio” para a escrita:

A tarde te retoca a beleza

Já se dourou ao sol, se banhou nas ondas

Agora o vento te penteia,  areia


A palavra que sai muda

Cega, com sua claridade completa

A palavra é a sensação certa do poeta


No meu espaço, as estrelas brilham azul

A noite negra não cobre o dia

Vazam sol e céu


Pinga a gota

Balança  a folha toda

Dança da chuva


A pétala

Na noite é prata

Reflete a lua

Vai dizer q ele não tava meditando? Tirei essa foto há muitos anos (dá pra perceber!) em Trindade/RJ.



Trilhando a trilha – por DJ K_ri


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, flor do dia, rádioFLOR

Eu acho que cada DJ tem um jeito de criar seu set. O meu varia muito; já rolou de uma única música inspirar toda a minha seleção. Também adoro tematizar meus sets de acordo com algum acontecimento ou coisa que habita minha mente/vida naquele momento. Agora, por exemplo, me pego imersa numa onda afro_total; me interesso por tudo e passo dias só ouvindo tambores.

Meu processo criativo é assim: primeiro, penso no que tem a ver com a noite, o lugar e as pessoas que vão ouvir o som. Depois que eu desenho o perfil na cabeça, começo a garimpar as musicas; ouço muuuuuuuita coisa e coloco tudo o que eu gosto numa pasta no meu Itunes. Daí começa o trabalho mais difícil (triste, até): limar 80% e deixar apenas 1h, 1h30 de música.

Mais um trabalho duro – estabelecer a sequência num clima crescente de BPM (batidas por minuto). É difícil, porque é preciso considerar o começo e o final das músicas para facilitar a mixagem. Sou DJ novata e confesso sem dó: é foda mixar! ;-)

Depois, ensaio: horas, horas e horas, ouvindo e mixando pra não dar nada errado. Aí é TOCAR! Quando a pista corresponde, as pessoas dançam e se divertem a coisa toda vale a pena.

A felicidade delas é como musica para meus ouvidos.

Aqui está um trecho do set de afrofunk que eu vou tocar na festa Xiliquê, dia 17, no Vegas. Mas, prefiro ver você na pista, tá?

Eu e a Dani temos uma coluna no site rraurl (eu escrevo, posto sets e ela ilustra). Mais tarde você vai ver que bacana o processo dela ilustrando o post que fizemos sobre afrofunk.

Vai lá ver o post no rraurl – ficou bem legal! www.rraurl.com.br

Flor do dia | Lauren Monaco


por Daniela Scartezini
Fazer_visual, Ilustração, Palavras, flor do dia

O processo de criação de um projeto de livro infantil, continua.

Enquanto isso em uma universidade de Design de Washington… a estudante Lauren Monaco, desenvolveu esse projeto incrível baseado na obra de haikai de Jack Kerouac.

A gente já falou bastante aqui sobre o haikai no post da Karine, para quem quiser degustar mais.


  • http://www.tedxamazonia.com.br

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