
Espinhos de rosas e perfume de jasmim, por Susana Paiva
Hoje as flores do seu jardim brotam sem você estar aqui.
Algumas memórias que me rodeiam têm o perfume do seu jasmim, outras, a dor dos
espinhos que muitas vezes te feriam.
Mas você, satisfeita e feliz, como alguém que recebera um presente, mostrava as marcas
que eles haviam feito: “São arranhões de rosas” – Me dizia. E eu simplesmente não entendia.
Hoje tento buscar em algum lugar uma resposta para retornar àquele tal sentido das coisas.
Das cores, das flores.
Quando me percebo, estou rezando!
E então a minha memória me faz voltar ao primeiro dia em que você me ensinou a rezar.
Frases simples, pequeninas e tão cheias de inocência. Eram palavras do tamanho do meu
tamanho, simples como meus sonhos, tão inocentes quanto as minhas crenças.
E que me faziam dormir em paz e segura de estar “segura” por um milagre vindo de tão
poucas palavras.
No dia mais triste de toda a minha vida, eu ainda rezei. Dessa vez, não para dormir e sim para
pedir que outro milagre pudesse vir.
Pedi a Deus tanta coisa, pedi para te levar sim, pedi para você ficar. E por fim, pedi que fosse
feita a vontade Dele.
Mas no fundo no fundo, pedia sem saber que Ele me fizesse pequenina novamente. E que você
voltasse a ficar grande como antigamente.
Mas nesse dia a pequenina era você, e ainda assim não cabia em minhas mãos. Eu não
consegui te segurar e fazer você ficar. Então, de um jeito criança comecei a chorar.
Você foi embora e eu nem sei pra onde, escorregou por entre meus dedos, deixei ir…
Ao sair depois de me despedir, senti minha história ficar para trás. Vi um pedaço meu fenecer,
e eu nada pude fazer.
Hoje, as flores do seu jardim ainda continuam brotando. Estranho! Porque você não está aqui.
Eu fico pensando que talvez os espinhos tivessem este fim, proteger as rosas para mim.
Ainda me lembro de uma vez em que perguntamos uma para a outra se existia um “outro
lugar” onde tudo pudesse continuar. Eu te disse que precisava existir, senão, não haveria
sentido “existir”.
E ainda hoje, quando dou por mim…
Ainda posso rezar aquelas pequeninas frases que você um dia me fez decorar.
Mas dessa vez eu peço para acreditar, que algum dia vou te reencontrar. E que valeu a pena
sentir a dor da sua partida, nunca da sua perda.
Como arranhões de rosas, certamente!
Pequenina que fico peço para compreender que não existe um fim. Até mesmo que eu me
sinta feliz por ter me ferido com os espinhos… Aqueles, das rosas do nosso jardim.
E que de modo tão simples assim, eu ainda continue rezando , acreditando no que vem depois
e nas coisas boas que podem continuar.
Para enfim, um dia encontrar este tal lugar, onde você certamente vai estar.
Com suas mãos sujas de terra e um sorriso largo a minha espera.
Satisfeita e feliz, plantando rosas e jasmins.
O vídeo que compartilhamos hoje, é um trecho fo filme Le Mistère Picasso, de Henri-Georges Clouzot.
No filme, de 1955, o diretor demonstra relação entre criação e destruição no processo artístico de Picasso.
Observe Pablo Picasso em seu processo criativo: as camadas, ou, os caminhos que a mente percorre durante o processo.
Principalmente: atente-se à imagem inicial e à final. Daonde brotam e como se transformam ao longo do processo, sob a pressão de novas idéias e imagens.
O conteúdo revela a profundidade de um processo artístico e o que há por trás das pinceladas do artista.

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O programa Compacto é um videocast de cultura da Petrobrás, realizado pela colmeia.
Juntas pela primeira vez, essa semana o programa traz a parceria mais que especial de Teresa Cristina, Karina Buhr e músicos talentosíssimos.
Sim, elas tem muita coisa em comum :)
De emocionar: Teresa, Karina e a música Vagalume especialmente para o Compacto.
Melhor ainda! A gente pode fazer download da música em Mp3! Isso sim é liberdade.
Bom dia, flor do dia!
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