Juliana Porto | Flores para incorporar


por A Florista
flores, mil_fazeres, vídeo

Essa é uma história para você incorporar. Incorporar, diz-se, vêm de assumir forma, tomar corpo. Ou me agrada tanto mais: reunir intimamente. Como ela mesma vai te contar, Juliana vêm assumindo forma e dando corpo ao seu trabalho desde que nasceu. Trabalho esse, de resistência. Não há como separar seu trabalho de sua vida/história. Juliana não realiza um trabalho, ela mesma é o seu fazer. Resistir, foi assumir o que é e não deixar-se corromper. Não fazer o que é, não faria sentido. Pior, não seria possível. O que ela faz? Não queremos rótulos. A presença de Juliana faz pensarmos o tempo todo nisso. Por que tantos nomes, formas e corpos pré – concebidos? “Queremos descontruir, transformar” – ela diz. Te convido a reunir-se intimamente com o fazer de Juliana, deixar-se incorporar por sua história. Aqui, um desejo forte que ela transforme um pouco a sua. Que sua forma possa encontrar seu corpo e ambos possam dançar a liberdade. Que seu fazer seja você. Nada menos do que isso.

Dani Scartezini

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Vídeos Fernando Camargo e Marcelo Tomasini

Nossa História, por Juliana Porto

Era hora de trabalhar. O mundo esperava de mim e eu também, ainda estava em processo de formação. Por escolha resolvi mergulhar nesse processo da maneira mais legitima que pude, fui guiada pelas minhas possibilidades e pelo meu prazer, findei o trajeto após 8 anos. Em 2008 conclui o curso de Comunicação das Artes do Corpo – PUCSP, com habilitação em dança e performance. Lá me formei e me transformei inúmeras vezes, aprendi que os passos do caminho são tão importantes quanto o ponto de chegada. Saí de lá com a incerteza da arte. Com a sensação que essa palavra de tão cheia se tornava vazia. E as velhas perguntas rondavam meu corpo preguiçoso de resposta. Performances, danças, cenas, intervenções, não satisfaziam naquele momento meu desejo de criar.  Todo esse universo se tornava cada vez mais distante pra mim. O desejo de trocar com o mundo era intenso e eu me questionava sem cessar de que maneira conversaria com este mundo. Buscava na arte um acontecimento, uma relação, uma transformação, uma vida, um tempo presente, um pulso. Olhei a minha volta e não encontrei o que fazer, me sentia incompetente para realizar as possibilidades de trabalho que conhecia. Foi quando, por necessidade e desejo, o territórios do corpo se revelou pra mim depois de alguns anos de seu nascimento, no dia quatro de novembro de mil novecentos e oitenta e um, momento em que nasci. O territórios do corpo propõe um encontro com o corpo de si, com o corpo do mundo.  Ele tem medo das categorias e vive fugindo das definições. Acredito muito na singularidade de cada corpo, acredito que os ossos, os sonhos, os rins, os pés, os pulmões, o coração, o fígado, a respiração,  as mãos, os músculos, o pensamento, tecem paisagens criando a experiência de ser corpo vivo no mundo. O trabalho tem pontos de partida e adquire diversas formas a cada corpo que o procura.  Certa vez ouvi uma pessoa dizer palavra forte. Tive receio em me apresentar, com timidez disse olá. Um pouco depois apresentei meu fazer para ela que me disse: “tenho interesse que o seu trabalho exista, pois assim como o meu ele é de resistência”. Sim, resistimos a anestesia de hoje, resistimos em submeter todos os nossos desejos ao capital, resistimos em sermos aquele que os outros querem que sejamos, resistimos em sermos propriedade de algo ou de alguém, resistimos em sermos puro produto cego, surdo e mudo do nosso tempo, resistimos em sermos nós. Queremos encontrar com a legitimidade e a honestidade que nos é própria, queremos trabalhar para pulsar, para alimentar a nossa potência de existir, queremos realizar a vida em corpo que dança, queremos a intimidade, vem do latim intìmus, ‘o mais profundo; o mais interior; completamente interior etc.’, conexo com inter ‘no interior de dois; entre’; superposição; aproximação; introdução, transformação’, queremos buscar, queremos errar.  Nada sei sobre aquele corpo que me procura, nada quero saber antes que ele me dê licença. Repudio diagnósticos prematuros e fechados. Acreditamos na possibilidade e na transformação. Acreditamos na memória. Há tempos insisto na potência do fazer junto, buscando alimento na solidão de ser corpo único.  Certa vez ouvi uma pessoa dizer palavra suave. Me entreguei às suas histórias e escutei : “na minha terra existem as pessoas da pessoa e se você tiver a coragem de olhar realmente para uma pessoa, vai ver que cada encontro revela uma pessoa de suas pessoas”. Buscamos a autonomia dos nossos passos, mas percebemos que eles não criam travessias isoladas. Existem muitos territórios para se experimentar, para atravessar, para habitar… Existe muita potência adormecida vivendo nos corpos da cidade…

[sobre o áudio |texto narrado e violão|: é uma composição de depoimentos sobre o territórios do corpo por diferentes pessoas que por ali passaram, a elas eu agradeço imensamente.]

FotosGleice Bueno


Assista a entrevista de Juliana Porto, aqui.
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Para conhecer Juliana:

juliana.montellano@gmail.com

11 9231 3332


Flor do dia | Fernando Cardoso


por Daniela Scartezini
flor do dia, vídeo

Hoje começa a exposicão do amigo e artista plástico Fernando Cardoso. E é com muito orgulho desse amigo que eu convido vcs a participarem da experiência que Fernando propõe com a exposicão Umbra. Através do elemento sombra e baseado nos conceitos do Psicólogo Carl Gustav Jung, para discutir a mesma, Fernando propõe um diálogo entre obra e espaço, criador e criatura e o despertar dos aspectos que estão à sombra de nossa consciência. Bom, tudo que a gente adora: arte, Jung e pessoas.

Além do mais , não é todo dia que podemos prestigiar o nascimento para o mundo de um (novo) artista, não é mesmo?

Vamos?

Nascido em 1969, o artista brasileiro Fernando Cardoso iniciou seu trabalho de escultura nos anos 1990. Seu principal interesse está nos sentimentos que busca expressar através das curvas e do movimento das formas do corpo humano. Com forte influência expressionista, suas obras apresentam, simultaneamente, leveza e atitude, presentesconsecutivamente nas formas alongadas e libertas de matéria do corpo de seus personagens, e no peso e no gesto de suas extremidades e membros.

Para a exposição Umbra na Galeria André, sua primeira individual em uma galeriacomercial, utilizando-se da sombra como principal elemento, Cardoso propõe uma releitura de sua obra a partir de referências a artistas contemporâneos, como o francês Christian Boltanski e a japonesa Kumi Yamashita, assim como ao teatro de sombras. Entendida pela psicologia como o lado menos consciente da personalidade, a sombra, que é indissociável daquele que a produz, remete à primitividade da natureza humana; a animosidade que se tenta negar e reprimir por conter desejos imorais e violentos. Sendo um grande depósito de energia instintiva é também a principal fonte da criatividade e espontaneidade do indivíduo, aspectos fundamentais para o desenvolvimento humano e artístico. Quanto maior a consciência sobre sua sombra – e seus aspectos obsessivos, possessivos e autônomos, capazes de dominar o ego estruturado – maior controle o indivíduo tem sobre seus impulsos destrutivos, sendo capaz de transformá-los em um ricomaterial de análise do insconsciente coletivo.

Dessa forma, Cardoso faz um resgate a suas origens criativas, e a partir das sombras geradas por suas esculturas, estabelece um novo diálogo entre sua obra e o espaço expositivo, libertando-a da linguagem escultórica exclusivamente, e transformando o tridimensional em bidimensional e o estático em cinético. A instalação criada para o andar superior da galeria, com sua composição de sombras, projeções e cores, produz uma imagem que poderia pertencer ao mundo do inconsciente, dos sonhos; algo que é estranho mas ao mesmo tempo familiar e extremamente poético. A montagem transforma ainda a recepção do observador, que passa a participar ativamente da obra ao reconhecer sua sombra também projetada no espaço da galeria, e assim, a questionar sua própria condição humana.

Fernando Cardoso
Umbra
22 Novembro – 3 Dezembro 2011

Abertura:
22 Novembro 2011, 20h


Galeria de Arte André

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1753
01441-001 – São Paulo – SP – Brazil
+ 55 11 3064 2242
+ 55 11 3082 8029

Horário de abertura:
Segunda à sexta das 10h às 20h
Sábado das 10h às 14h

A responsabilidade de contar histórias


por Karine Rossi
flor do dia, vídeo

Sim, nós somos contadoras de histórias. Aqui, compartilhamos histórias sobre pessoas e seus fazeres. Contamos como o criar está relacionado com a forma das pessoas se relacionarem com o mundo. E, muitas vezes, como tudo isso transforma sua maneira de viver, relacionar-se, pensar, etc. E porque fazemos isso? Por acreditar no potencial que uma história tem de mudar outra história. Pois é, pode parecer que não, mas esse fazer de contar histórias é sério, muito sério. Já parou para pensar se houvesse apenas uma história para contar ao seu filho? Ou, se apenas houvesse uma história sobre a criação do mundo, ou, apenas uma sobre a beleza e assim por diante? Aonde estaríamos agora?

É sobre o perigo da “história única” que a romancista Chimamanda Adichie, conta a história de como descobriu a sua voz cultural – e adverte que se ouvirmos apenas uma história sobre outra pessoa ou país, arriscamos um desentendimento crítico.

Parafraseando Saramago: “Se queres conhecer uma coisa, dê-lhe a volta toda.”

Flores do Cerrado – normal ou cesareano?


por Daniela Scartezini
as rosas falam, vídeo

Eu ainda não sou mãe. Mas tenho vontade de um dia viver essa experiência que me parece cada vez mais milagrosa.
Ao mesmo tempo, me parece uma das coisas mais simples da vida. Sim. A mulher é assim: nasceu com o dom de gerar e pronto. Como o que há de mais natural. É da sua natureza a gravidez e, logicamente, parir.

Assim, conceber, gerar, dar à luz, para a mulher, é parte de um ciclo saudável. O contrário disso, talvez não seja. Eu não sei quem, ou em qual momento exato da história (uma amiga me disse que esse “advento incrível”, seja pós revolução industrial), aconteceu do ser humano relacionar gravidez à doença. Eu não sei e não quero também fazer julgamentos. Apenas propor uma reflexão sobre o assunto. Afinal, nós mulheres bem informadas, temos o dever para com a nossa espécie de querer o melhor para ela, não?

Há uma linha tênue para distinguir entre o benefício de não dor, conforto e a responsabilidade que temos em ir cada vez mais nos afastando de nossos instintos, de nossa sabedoria feminina, de nossa natureza, transformando o que é natural em anti-natural. Temos que pensar nas consequências dessas escolhas para a humanidade.

A mulher sabe parir. Foi feita para tal. Essa é a sua natureza. Imagino que seja uma pena perder esse milagre que a vida nos oferece. Reunir em casa, no hospital, no lugar aonde se sinta mais segura, a sua tribo para trazer a vida ao mundo – naturalmente, milagrosamente. Mas optar pelo parto cesareano? Por quê? A não ser que haja realmente uma situação de risco – totalmente a favor.

Mulheres, vamos refletir? Assistam esse corte do documentário “Flores do Cerrado”. Conheçam a história da D. Flor – parteira que trabalha para salvar vidas :) e prometo que trarei mais informações e uma especialista no assunto para continuar essa conversa, ok?

Por que não?


por Daniela Scartezini
Artes plásticas, Design, Música, flor do dia, vídeo

Ei, designer, já pensou usar sua criatividade para criar coisas que vão além daquele poster convencional? Pois então, Xavier Barrade pensou. O artista plástico e Designer criou posters “3D”, para o lançamento da banda “Dry the River“, utilizando-se de esculturas de papel de cavalos que realmente saltam em direção às pessoas que estão passeando pelas ruas de Londres.

Cada escultura, levou em média 35horas para ser feita. Valeu a pena. O resultado mostra que é possível levar um pouco de arte às ruas através de um material de comunicação de propaganda, por que não?

Leia mais aqui e assista o processo de Xavier para a criação dos seus cavalos de papel_inspirador!


  • http://www.tedxamazonia.com.br

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