
Ouça Malika, antes mesmo do seu lançamento, no soundcloud.com/malikaone
Malika é música para além dos ouvidos. Ela vibra o corpo com seu grave poderoso e estimula os olhos com suas cores e texturas vivas. É um projeto novo (de idade e originalidade), ainda nem foi lançado. Mas está aqui por ativar tanto os sentidos.
Na verdade, Malika é Claudia Dorei, cantora e musicista há mais de uma década. É seu alter-ego, seu paralelo, sua versão mais colorida. Claudia canta em português, Malika em inglês. Mas mesmo em idiomas diferentes, ambas expressam o desejo por um mundo sem fronteiras.
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Malika, por Claudia Dorei


Desde pequena, sou fissurada por música. Quando ganhava algum dinheiro de natal dos meus avós, imediatamente comprava um CD. Canções africanas, indianas, americanas, brasileiras, inglesas, islandesas, de tudo eu gostava. A princípio, amava ouvir, mas aos poucos fui descobrindo que também amava inventar sons. Estudei bateria aos 12 anos, depois passei para o violão, descobri o trompete na escola, comecei a meditar e fui tocar cítara, mridangam (instrumento de persussão indiano), címbalos, e finalmente, por influência do meu tecnológico pai, mergulhei no mundo maravilhoso dos computadores. Tudo isso ficou dentro de mim e hoje crio sons, trilhas e discos.
A música tem o poder de alterar meu estado de espirito. Fico pensando que loucura é essa coisa que não precisa existir, não tem nenhuma necessidade prática, mas que está em todos os lugares!
Para mim, ela está em tudo e surge do nada. Acabei de terminar um disco inspirado nos sons e texturas que meu querido parceiro musical, Cavalaska, compartilhou comigo.
Além de ser um incrível produtor de música eletrônica, Cavalaska é meu professor de Yoga. Entre uma aula e outra, ele mostrava bases para que eu colocasse melodias e letras. É o nosso primeiro disco juntos, e nesses mais de 10 anos de profissão, nunca foi tão fácil e intuitivo criar. Eu ligava as caixas de som no meu estúdio, apagava a luz, fechava os olhos, ouvia, sentia e uma paisagem surgia na minha mente. A partir desse cenário, letra e melodia fluiam como água.
Dessa experiência sensorial e muito especial, nasceu um projeto alheio à Claudia Dorei, chamado Malika – uma espécie de alter-ego, com som e imagem próprios. É como se fosse outro alguém, um ser (não necessariamente humano) que manifesta sua energia através da música.

O disco ainda não foi lançado. Estamos trabalhando no encarte, junto com os talentosíssimos Paulo Bueno e Uibirá Barelli, que por identificação sonora, criaram o visual do projeto. Siva Rama fez a maquiagem, Yuri Pinheiro fez as fotos e, em breve, faremos um show de lançamento. Por enquanto, você pode ouví-lo aqui. Boa viagem!
Malika é uma proposta diferente. Não é racional, é sensitiva. Para clarear um pouco mais essa história, aqui está um trecho da conversa que eu tive com Claudia Dorei :)
Karine
Me fala uma coisa, Claudia: quem é Malika? É o seu alter-ego?
Claudia Dorei
É
Karine
E por que ela tem esse visual?
Claudia Dorei
Como ela não é Claudia Dorei (eusinha de nascença), criamos um personagem, não só visual, mas também no jeito de cantar. É muito diferente do jeito que eu canto, em português. Então brincamos com esse ser que poderia ter vindo de outro planeta.
Karine
Então Malika é um ser de outro tempo-espaço?
Claudia Dorei
Pode ser…
Karine
E por que ela canta em inglês?
Claudia Dorei
Canta em inglês porque se cantasse na língua dela ninguém entenderia! rs
Karine
E o que ela diz? Qual é a mensagem de suas músicas?
Claudia Dorei
Embora também seja da terra, ela tem um olhar de fora sobre nosso planeta. Não consegue entender por que existem fronteiras, países… Ela quer que as pessoas esqueçam seus problemas, esqueçam que a lei da gravidade puxa as coisas para baixo. Malika quer celebrar a vida.
Karine
Só mais uma coisa: você intuiu Malika? Sonhou? Ou a construiu conscientemente?
Claudia Dorei
Eu intuí. Foi um processo muito louco e muito rápido… sem algum senso crítico racional. As músicas foram feitas em menos de 30 minutos cada uma – letra e melodia!
GET TOGETHER – Malika
this is the final message
the more you give
the more you get
let’s get together at this celebration of life
gravity try to pulls us down
so let’s
JUMP
they’re not gonna catch us now
for consciousness is our weapon
we are all one
on this round planet earth
o let’s get together in this truthful family
you are so welcomed here
let’s spread love
good vibrations
let’s be the ones who choose
not to be the chosen ones
let’s spread love
good vibrations
LOVE
Quer ouvir Claudia Dorei?
O cineasta Eduardo Coutinho (Edifício Master, Santo Forte, O Fim e o Princípio) mostrou uma coisa que todo mundo sabe em seu último documentário, chamado “As Canções”: que a música é capaz de fazer sentir novamente. Que pode molhar a boca com o gosto do bolo da mãe saudosa, de exalar o cheiro do cabelo da namorada, de ver a gargalhada do melhor amigo. Uma música pode trazer, tudo junto, o cheiro, a imagem, o gosto e o arrepio daquelas férias na adolescência.
“As Canções” mostra 18 personagens. Cada um, diante de uma câmera estática, canta a música que marcou a sua vida e explica porque ela é tão importante.
E é só isso, simples assim.
As pessoas cantam, contam, riem, choram, se arrependem, se reafirmam, enquanto a gente chora, ri (muito!), se compara, se surpreende e se levanta da cadeira fazendo “sim” com a cabeça para um dos refrões mais cantados do Brasil “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu senti”.
O filme ainda está nos cinemas. Vale a pena :)

UM TOQUE DE MAÍRA PARA RELAXAR E REVITALIZAR
Esfoliação com sal grosso
Com um pilão massere meio copo de sal grosso ou Sal do Himalaia com 3 ramos de alecrim frescos e 4 colheres de sopa de óleo vegetal prensado a frio (no calor usar óleo de coco e no frio óleo de gergelim.)
Faça uma esfrega intensa nas plantas dos pés. Depois esfregue as pernas, dando atenção às coxas e glúteos. Tome um banho morno sem sabonete e, por último, enxágue o corpo todo com infusão de manjericão.
Infusão de manjericão
Aqueça 2 litros de água filtrada. Pouco antes de ferver desligue o fogo, coloque 3 galhos cheios de manjericão fresco e tampe a panela. Após 30 minutos está pronto para o banho. Se necessário reaqueça, mas não ferva a infusão.

Fotos: Gleice Bueno

Onda (clique para ouvir e baixar)
Um sentido desperta o outro, inspira. E, quando a gente permite, sente por inteiro. Ao compartilhar seu olhar, o mar de Paula Marina provocou cócegas nos ouvidos de Laercio, que compôs a trilha “Onda” para o ensaio. Fez Dani colocar as mãos pra brincar e transformar de vez as cores da fotógrafa em aquarela, enquanto Karine mergulhou em palavras para compor um poema sinestésico. Ao compartilhar esses encontros, a gente te convida a também se deixar levar por essa história. Depois vem aqui nos contar!

Essa é uma história para você incorporar. Incorporar, diz-se, vêm de assumir forma, tomar corpo. Ou me agrada tanto mais: reunir intimamente. Como ela mesma vai te contar, Juliana vêm assumindo forma e dando corpo ao seu trabalho desde que nasceu. Trabalho esse, de resistência. Não há como separar seu trabalho de sua vida/história. Juliana não realiza um trabalho, ela mesma é o seu fazer. Resistir, foi assumir o que é e não deixar-se corromper. Não fazer o que é, não faria sentido. Pior, não seria possível. O que ela faz? Não queremos rótulos. A presença de Juliana faz pensarmos o tempo todo nisso. Por que tantos nomes, formas e corpos pré – concebidos? “Queremos descontruir, transformar” – ela diz. Te convido a reunir-se intimamente com o fazer de Juliana, deixar-se incorporar por sua história. Aqui, um desejo forte que ela transforme um pouco a sua. Que sua forma possa encontrar seu corpo e ambos possam dançar a liberdade. Que seu fazer seja você. Nada menos do que isso.
Dani Scartezini@–;—
Vídeos Fernando Camargo e Marcelo TomasiniNossa História, por Juliana Porto
Era hora de trabalhar. O mundo esperava de mim e eu também, ainda estava em processo de formação. Por escolha resolvi mergulhar nesse processo da maneira mais legitima que pude, fui guiada pelas minhas possibilidades e pelo meu prazer, findei o trajeto após 8 anos. Em 2008 conclui o curso de Comunicação das Artes do Corpo – PUCSP, com habilitação em dança e performance. Lá me formei e me transformei inúmeras vezes, aprendi que os passos do caminho são tão importantes quanto o ponto de chegada. Saí de lá com a incerteza da arte. Com a sensação que essa palavra de tão cheia se tornava vazia. E as velhas perguntas rondavam meu corpo preguiçoso de resposta. Performances, danças, cenas, intervenções, não satisfaziam naquele momento meu desejo de criar. Todo esse universo se tornava cada vez mais distante pra mim. O desejo de trocar com o mundo era intenso e eu me questionava sem cessar de que maneira conversaria com este mundo. Buscava na arte um acontecimento, uma relação, uma transformação, uma vida, um tempo presente, um pulso. Olhei a minha volta e não encontrei o que fazer, me sentia incompetente para realizar as possibilidades de trabalho que conhecia. Foi quando, por necessidade e desejo, o territórios do corpo se revelou pra mim depois de alguns anos de seu nascimento, no dia quatro de novembro de mil novecentos e oitenta e um, momento em que nasci. O territórios do corpo propõe um encontro com o corpo de si, com o corpo do mundo. Ele tem medo das categorias e vive fugindo das definições. Acredito muito na singularidade de cada corpo, acredito que os ossos, os sonhos, os rins, os pés, os pulmões, o coração, o fígado, a respiração, as mãos, os músculos, o pensamento, tecem paisagens criando a experiência de ser corpo vivo no mundo. O trabalho tem pontos de partida e adquire diversas formas a cada corpo que o procura. Certa vez ouvi uma pessoa dizer palavra forte. Tive receio em me apresentar, com timidez disse olá. Um pouco depois apresentei meu fazer para ela que me disse: “tenho interesse que o seu trabalho exista, pois assim como o meu ele é de resistência”. Sim, resistimos a anestesia de hoje, resistimos em submeter todos os nossos desejos ao capital, resistimos em sermos aquele que os outros querem que sejamos, resistimos em sermos propriedade de algo ou de alguém, resistimos em sermos puro produto cego, surdo e mudo do nosso tempo, resistimos em sermos nós. Queremos encontrar com a legitimidade e a honestidade que nos é própria, queremos trabalhar para pulsar, para alimentar a nossa potência de existir, queremos realizar a vida em corpo que dança, queremos a intimidade, vem do latim intìmus, ‘o mais profundo; o mais interior; completamente interior etc.’, conexo com inter ‘no interior de dois; entre’; superposição; aproximação; introdução, transformação’, queremos buscar, queremos errar. Nada sei sobre aquele corpo que me procura, nada quero saber antes que ele me dê licença. Repudio diagnósticos prematuros e fechados. Acreditamos na possibilidade e na transformação. Acreditamos na memória. Há tempos insisto na potência do fazer junto, buscando alimento na solidão de ser corpo único. Certa vez ouvi uma pessoa dizer palavra suave. Me entreguei às suas histórias e escutei : “na minha terra existem as pessoas da pessoa e se você tiver a coragem de olhar realmente para uma pessoa, vai ver que cada encontro revela uma pessoa de suas pessoas”. Buscamos a autonomia dos nossos passos, mas percebemos que eles não criam travessias isoladas. Existem muitos territórios para se experimentar, para atravessar, para habitar… Existe muita potência adormecida vivendo nos corpos da cidade…
[sobre o áudio |texto narrado e violão|: é uma composição de depoimentos sobre o territórios do corpo por diferentes pessoas que por ali passaram, a elas eu agradeço imensamente.]
FotosGleice Bueno
Para conhecer Juliana:
juliana.montellano@gmail.com
11 9231 3332
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