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bjos mil
Dani, Karine e Gleice

Onda (clique para ouvir e baixar)
Um sentido desperta o outro, inspira. E, quando a gente permite, sente por inteiro. Ao compartilhar seu olhar, o mar de Paula Marina provocou cócegas nos ouvidos de Laercio, que compôs a trilha “Onda” para o ensaio. Fez Dani colocar as mãos pra brincar e transformar de vez as cores da fotógrafa em aquarela, enquanto Karine mergulhou em palavras para compor um poema sinestésico. Ao compartilhar esses encontros, a gente te convida a também se deixar levar por essa história. Depois vem aqui nos contar!

A Ju tem um trabalho forte. Me fez chorar.
Me fez estranha de mim por um tempo, mas depois eu permiti. Eu me acolhi. E senti esse poema :-)
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MEU EU
Às vezes, Eu percebo o Meu corpo
Entendo como Ele anda, como Ele senta
Percebo como Ele se chateia quando cansa
E o quanto Ele é feliz quando dança
Eu vejo que, quando Ele corre, cria uma água que escorre
E que, quando Ele dorme, sua pele adormece
Eu tenho prazer quando Ele goza
Tenho orgulho quando Ele ganha um elogio
Fico triste quando Ele cai ou leva alguma outra pancada
Quando Ele dói, Eu me incomodo
Ele é tão forte, tão é vivo, tão perto, tão quente … gosto de saber que Ele é Meu
Mas, me completo quando me lembro que
Ele
Sou
Eu

Nós somos floristas. E dedicamos o nosso tempo para encontrar, arranjar e entregar histórias com o poder de transformar outras histórias. Nossas flores são pessoas e suas trajetórias inspiradoras.
Cor, cheiro, toque, beleza, afeto… tanto poder tem uma flor de nos inspirar. Por isso, agora também estaremos lá na Revista dos Sentidos, felizes por cumprir nosso destino de florista: entregar flores além dos limites do nosso quintal.
A Revista dos Sentidos é nossa nova casa. Um lugar perfeito para contarmos histórias de mulheres e suas formas de sentir e se manifestar no mundo.
A gente espera que as experiências que vamos compartilhar despertem você em todos os sentidos. E, quem sabe, você também possa transformar a sua história em uma flor.
Conta pra gente: que parte da sua vida faz mais sentido? @–;—

Tudo aconteceu num tempo – nem antigo nem moderno – quando o amor ainda era tema de todas as histórias.
Nessa época, uma florista bem moça perfumava a vila inteira com suas rosas, lírios e brincos-de-princesa (quase posso sentir … como é grande o poder da lembrança).
A florista subia as ladeiras escondida entre o cheiro das flores que ela mesmo plantava e colhia no quintal. O lugar não era grande, mas cada canto tinha tantas cores e fragrâncias que mais parecia um planeta-delicadeza.
Era uma jovem bonita, feliz e gentil, mas que tinha uma fraqueza: não sabia dizer não. Ah sim, claro… muita gente se aproveitava dela. Mesmo sem ter dinheiro, muitos lhe pediam as flores. E ela, a florista, sempre entregava… Sempre em troca de um sorriso.
Na descida da ladeira, a Florista viu um rapaz e – exatamente nessa hora – suas flores exalaram um cheiro tão forte que quase a fez cair tonta no chão. Recuperada do súbido, voltou a vê-lo. Baixou a cabeça. Ergueu-a de novo. Andou um pouco. Parou. Olhou para traz e se deu conta de que estava amando.
Pelas pontas dos pés descalços ela o seguiu. Descobriu sua casa e, todas as manhãs ainda escuras, voltava lá para florir a porta com suas melhores flores: as mais frescas, as mais bonitas, as mais cheirosas e as mais apaixonadas.
Dia após dia. Todos os dias.
Quando ela voltava na madrugada seguinte, as flores do dia passado já tinham sido recolhidas. E ela enchia tudo de novo de flores. Todos os dias.
Até que um dia ela voltou e ainda haviam flores por lá. Mesmo assim, ela floriu. E floriu todos os dias até que a rua inteira ficasse coberta de flores. Todos os dias.
Quando viu que ele se foi, tentou manter o sorriso. Mas o maço de flores que carregava murchou em seus braços. Desde esse dia, seu quintal viveu um inverno. Seco. Frio. Escuro. E a cidade inteira mudou; o perfume de petala adocicada, caule molhado e folha fresca se transformou em cheiro de gente com pressa, dinheiro amassado e romance rompido.
Mas o ciclo da vida sempre continua e ela voltou a sorrir. Escolheu as sementes mais ricas e plantou, uma-a-uma, na terra fértil do amanhã. As flores nasceram e ficaram prontas para seguir seu destino de embelezar as casas da cidade. Num dia de muito azul e branco no céu, ela seguiu farta de flores. Vendeu quase todas: com algumas ganhou dinheiro, com muitas outras, sorrisos. No fim da tarde, só lhe restava uma flor: um único botão de rosa amarela. “Esta eu não vendo! Nem por todo o dinheiro do mundo, nem pelo mais belo sorriso”. E foi com a rosa para a casa, companheira agradável no caminho de volta. Aquela flor ela deu para si. Um carinho que cansou de esperar de alguém…
E foi nesse dia, quando aprendeu a dizer não, que – de longe – ela avistou um um homem alinhado no portão da sua casa. Sereno, camisa verde clara, chapéu de feltro branco… Se aproximou, cuidadosa, com medo de ouvir o que temia: “Boas tardes, senhorita florista… Vim para comprar esta flor”. Disse isso e abriu um sorriso tão lindo que a fez esquecer sua promessa. Sem demorar um segundo, ela lhe entregou.
Depois, com um pouco mais de demora, no momento seguinte ao de ver por dentro dos olhos dela, o homem lhe devolveu o botão. Foi incrível ver como ele se abriu durante a viagem entre as mãos… um percurso que durou a eternidade.
Ela reconheceu o cheiro dele. O sorriso. O cheiro era dele… ele estava de volta.
E isso foi tudo o que eu vi: o lindo fim de uma história em continuação.
Um momento tão sincero que me fez viver feliz para sempre.
E lá no começo, a Karine escreveu um conto, inspirada pelas imagens da Dani.
Agora você vai entender (ou melhor, sentir) um pouco mais sobre o nosso caminho.
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Pluii. Brinca com os sentidos.
Mobilize seus amigos e faça acontecer!
Incentive ideias e pessoas em que acredita.

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