Hoje abriram as inscrições para o TEDx Amazônia. Fui lá me inscrever (óbvio!) e me deparei com aquele formulário (que eu adoro), mas que é tão polêmico. Tem gente que se incomoda em ter que contar sua história, ou ter que justificar por que seriam pessoas interessantes para estarem lá.
Eu acho justo e digo mais: a participação no TED, essa conferência mundial que tem o ideal de espallhar boas idéias pelo mundo, começa aí. Ao ser questionado com perguntas como: “o que você fez de interessante na vida, ou, conte um pouco quem é você”, há que se pensar. E se você não tem preguiça quando quer muito alguma coisa, com certeza vai se dedicar em responder da melhor maneira possível. Aí, você já está mostrando por que você é interessante, além de ser um exercício muito importante (acho eu) pensar na sua própria história, se conhecer melhor.
Inspirada por essa idéia, resolvi contar aqui uma história, ou melhor, a minha história, consequentemente, a da A Florista :)
Para quem quiser ouvir, ler……..
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Senta, abre a roda que a história vai começar.
Eu estudei na Escola Vera Cruz, uma escola construtivista. Na minha época (tenho 32 anos) era algo ainda bem incomum. Os pais que colocavam seus filhos nessa escola, eram tidos como “hippies”, artistas, idealistas, etc.
Eu gostava da aula de Artes. Queria ser “desenhista” quando crescesse. Também tinha muitos, muitos amigos. Gostava de falar :) Uns anos a mais e me apaixonei pelas aulas de literatura, pelo professor de poesia, por cantar na aula de teatro.
Aos 14 anos, meu pai faleceu. Maior baque. Um soco no peito, mesmo. Aquelas coisas que ninguém explica. Meses depois como um presente da vida, no 1ºcolegial, conheci meu primeiro amor: ele era músico e descobri que eu tinha até um talento para cantar. Entrei para a banda dele, a qual 3 dos integrantes eram ninguém menos do que os filhos dos “caras dos Novos Baianos“. Eles mesmos: os filhos de Pepeu e Baby, de Paulinho Boca de Cantor, etc. A gente cantava desde Bob Marley, até… Novos Baianos. Nas escolas, festivais ( Fest Valda, nossa…) A gente arrasava. Éramos “A Banda Jamal” e cantávamos em casas para maiores de 18 anos, mas ninguém na banda passava dos 17 :).
Aos 16 anos, me preparando para entrar na faculdade de Desenho Industrial e “ser a tão sonhada desenhista”, outra fatalidade: fiquei doente. Muito doente. Câncer malígno. Pronto. Aquele desespero, medo de morrer, quimioterapia, radioterapia… E veio outro presente: a descoberta da espiritualidade. Conheci o Templo Guaracy, casa que freqüento até hoje e, junto à todos os tratamentos médicos, veio a superação da doença e meu renascimento. Durante 2 anos, enquanto todos meus amigos estavam em festinhas e viagens, eu estava “me curando” e rezando – muito. Valeu a pena :). Lá, eu conheci o que era realmente doar-se para “ajudar” alguém e o valor da saúde física, emocional e espiritual.
“CDF” como sempre, eu não parei de estudar, não. E aos 17, entrei na faculdade Belas Artes, em Desenho Industrial. Aos 19 anos, em 1998, quando ainda se falava de “surgimento da Internet”, eu estava na escola Politécnica da Usp, na engenharia Elétrica (pasmem!!) em meio à um bando de engenheiros, aprendendo a programar sites “na unha”, em um laboratório de pesquisas, financiado pela Fapesp. Desenhava interfaces para novas plataformas, imagina você. Meu TCC, na faculdade, acabou sendo (lógico) um site sobre design. Um site que contaria histórias sobre criação, designers, traria referências, etc.
Pois é. 14 anos depois, passei por agências de publicidade muito conhecidas, estúdios de design descolados, tive meu próprio estúdio e, com essa “bagagem”, vira-e-mexe, eu estava insatisfeita. Queria saber mais aonde essa “história de criar”, de ser feliz e saudável, poderia me levar. Não poderia ser só aquilo: “trabalhar, ganhar dinheiro e pronto.” Eu tinha que fazer mais. Na época, a minha terapeuta me contava histórias durante as sessões. Ah, eu adorava! Sempre gostei: das ilustrações, do que aquelas imagens movimentavam em mim, das palavras contadas por ela, daquela maneira mágica que iam direto para o coração.
E assim… como muitos disseram…. “Pirei”. Larguei “tudo” e pedi demissão da agência que trabalhava, como diretora de arte. Fui fazer cursos de contadora de histórias com grandes educadores e mais tarde, prestei um concurso e me tornei aluna da especialização em Arteterapia do Sedes, instituição ligada à saúde mental, educação e filosofia, de São Paulo. Lá, me dediquei a estudar as histórias pelo encanto que me causavam e como poderia trabalhar com elas terapeuticamente. Inquieta, mais uma vez, questionei a instituição. Ainda “não era isso”.
Adepta da antroposofia, filosofia ligada à Rudolf Steiner, descobri a linha da Terapia Artística e fui para Florianópolis, na Associação Sagres, estudar o ofício de contar histórias e trabalhar com elas em atelier terapêutico. Transformador. Durante 1 ano atendi 3 pessoas realizando o que chamei de terapia dos contos. O vínculo com as pessoas que atendi e a profundidade do trabalho, despertou a necessidade de estudar – mais. Aos 29 anos, prestei vestibular (de novo) em Psicologia e entrei. Durante o primeiro ano da faculdade, a quantidade de pessoas que atendia, ainda era beeeem inferior à quantidade de contas para pagar. Aos quase 30 anos, as responsabilidades eram bem diferentes das que tinha aos 17, na primeira faculdade :).
As agências me chamavam para freelas, eu fazia. E estudava muito. Até que veio uma proposta para trabalhar na Disney. Salário, estabilidade, horário saudável, e o resto você já imagina. Pensei: “bom, sou designer, estudo as histórias, tenho um sonho de um dia escrever para crianças, preciso me reequilibrar financeiramente, estou frágil emocionalmente, a Disney tem um pouco disso tudo, posso aprender…. eu vou! Tranquei a faculdade e 3 meses depois de uma loooonga seleção, eu estava lá, trabalhando como designer, no departamento de criação.
1 ano depois…(eu disse, sou contadora de histórias) tudo estável e calmo – demais. Aquela “coceira” já tão conhecida, vinha incomodar – de novo. A sensação do “ainda não era isso” começava a voltar. Já uma balzaquiana :), dessa vez eu não queria “pirar”, precisava ser mais sábia, eu diria. Foi então, que numa conversa aqui, outra alí, realizei que o maior “drama” de meus grandes amigos hoje, talvez o de nossa geração, está em não fazer o que gosta. E isso sim é qualidade de vida: ter um fazer diário que nos dê prazer e dignidade. Indo mais adiante, fazer o que gosta, é ter um fazer alinhado à nossa essência, mas… que essência é essa? Pensando nisso, surgiam questões, como: – poderia eu ajudar as pessoas a acordar essa essência, para que ela mostre um caminho e nos diga qual é esse nosso fazer?
Foi aí, que finalmente, nasceu A Florista. Um projeto que brotou da minha necessidade de fazer as coisas que amo, de ter um fazer diário que me trouxesse muito, muito prazer. Assim, eu precisava de algo aonde eu pudesse: desenhar, escrever, contar histórias de gente, inspirar, despertar, comunicar e trocar. Eu queria um Fazer que manifestasse minha essência: que revelasse toda essa história que sou e, de preferência, levasse beleza à alguém. Mais ainda: um projeto que me permitisse aprofundar meus estudos sobre os processo criativos e o que despertam nas pessoas, quando estimulados. Contar histórias reais disso que descubro dia-a-dia: que ao trabalharmos o nosso potencial criativo, essa essência floresce.
É engraçada a vida. Aqui estou eu, novamente, falando e apresentando um site sobre pessoas, criação, etc. Exatamente como fiz lá na faculdade de “Desenho Industrial” (não era Design, não, gente!) E penso que se eu pudesse voltar àquele momento da vida, com a consciência de hoje, eu diria para aquela menina: “Coragem, é isso mesmo, é só fazer o que gosta e acreditar”. Mas, ao mesmo tempo, eu não teria vivido essas “coisas” tão interessantes que eu já fiz na vida e não seria quem eu sou e… Não contaria essa história – que eu gosto muito.
O que eu observo cada dia e agora lendo essa história mais ainda, é que temos um potencial divino dentro de nós e sim, somos capazes de mudar o mundo. Mas para mudar o mundo aí fora, primeiro, vamos ter que mudar o nosso “aqui dentro” e buscar de verdade, essa qualidade de vida que tanto falamos. Se você ainda está buscando esse “fazer o que gosta e viver dele”, a sua essência e viver alinhado à ela, assim como eu… experimente contar a sua história para você mesmo e ficar atento às imagens dela. Em algum lugar dessa “floresta fechada” há de haver uma clareira e nela, vai estar o mapa para chegar ao teu “final feliz”.
“O ofício de perguntar, o ofício de contar histórias, o ofício de ocupar as mãos, são alguns dos instrumentos de meu trabalho – todos esses representam a criação de algo, e esse algo é a alma. Sempre que alimentamos a alma, ela garante expansão.”
Dani Scartezini
Eu, no Sedes, explorando um dos materiais para uso em atelier terapeutico.

Alguns dos trabalhos desse período (Aquarela)

“Auto Retrato” (Aquarela)

Máscara de argila, pintada com acrílica

Logomarca do nosso grupo de contadoras

"As Verinhas" - Grupo de contadoras de histórias

Chamando para a história (participação de Nando, o "Barba", dos Barbatuques)

Contando a história de Hikioshi - um dos momentos mais mágicos da vida

uma das verinhas (ilustração digital)
Foi assim…

e continua :)
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Dani, minha amiga querida. Tenho um certo orgulho de ter acompanhado um pouco desta sua trajetória tão linda e que continuará sendo ainda mais inspiradora….! Grande mulher, grande artista, grande amiga, grande filha, grande tia, grande esposa, grande em muita coisa. E o melhor de sua grandeza é que sabe ser pequena o suficiente para aprender mais com tudo que a vida lhe traz! Uma grande raridade! adoro vc minha amiga! para sempre!
Deby!
Que honra receber uma mensagem assim, de vc :)
Me emociona saber que essa história pode inspirar outras histórias, ainda mais se for a de alguém tão especial para mim, como é vc.
Tb adoro vc, para sempre!
Dani flor,
Fiquei muito comovida ao ler sua história. E ela me inspirou! Também quero assim tentar achar minha essência… Grata por regar uma sementinha em mim, quem sabe ela não me desperta uma linda flor! ;) E mais grata ainda por compartilhar a poética vida que tem feito!
Oi querida,
É bom demais saber que reguei uma sementinha aí em vc – vc não imagina o qto!
Tenho certeza que nascerá uma lindíssima flor. Tão linda como as que já cultiva.
Grata por receber e compartilhar, tb!
Dani, que linda história!
E que belo jardim voce está cultivando… Para si mesma e também para todos nós, que aqui podemos aproveitar das suas flores, cores, formas, perfumes…
Bia Del Picchia
Dani,
te acho cada dia mais linda e mais iluminada…e o melhor é que essa história ainda tem muitos capítulos a serem escritos.
bjs
Lella
Assim é a Dani, quanto mais perto melhor.
:*
saudade!
oi querida, imagina! essa e todas as histórias de pessoas, ainda têm mtos capítulos, ainda bem! bj grande
Rosa, menina rosa ! amo vc e suas flores !
Nossaaaa, que jardim fertil. Adorei quero conhecer mais sobre estas estorias . Aguardo contato.
Bj Flavia
Lindo. Bom saber que estive presente em alguns destes momentos!
;))
que honra saber que eu fiz parte dessa história linda e que orgulho poder ser sua amiga e poder receber um pouco dessa luz que vc tem. vc é meu exemplo de vida, vc sabe disso e eu amo vc do fundo do meu coração e pra sempre. bjos com muito amor.
vc q é meu exemplo de vida. amo vc, minha irmã querida.
Oi Daniela,
Que delícia ler o seu blog! Sou amiga da Titi Vidal e temos histórias de vida parecidas. Foi muito bom ler seu depoimento e compartilhar sensações e emoções. Também mudei de profissão (era tb.advogada e hoje sou astróloga) – tenho até um texto sobre isto no meu site (http://www.camilacolaneri.com.br/2008/06/30/de-advogada-a-astrologa/) que me rende e-mails até hoje….
Parabéns por compartilhar a história de pessoas que como nós foram buscar a realização…
Bjs,
Camila
obrigada Camila! bom saber ;)
Olá Daniela,
Parabéns pela sua coragem e por ter um dom tão lindo.
Seu dom presta um serviço para todos os que procuram ouvir e aprender com os outros.
Adorei o site.
Bjs
Elena
Dani…. Uma vez o Sr Pedro Boiadeiro disse que são os pés os grandes mestres que orientam a nossa história. Eles carregam a memória da nossa caminhada. Parabéns pela sua história / caminhada… Como você sabe adoro ouvir e também adoro contar belas histórias. Um grande bj
Oi Elena, mto obrigada pelas palavras :) Me inspira muito a continuar levando essas flores por aí !
Oi florista, estou encantada com sua trajetória…parece que vc é uma ótima contadora de histórias…gostei muito de ler sobre vc. De um jeito, me identifico muito com hitória. Também percorri muitos caminhos em busca da satisfacao pessoal…fui do magistério ao teatro, trabalho social intenso à música, e agora estou fazendo um curso mais profundo sobre terapia artística e estou fascinada com a possibilidasde de ajudar minhas criancinhas. Próximo ano irei trabalhar com criancas de famílias exiladas e imagino-me ouvindo e contando muitas histórias reais, profundas e outraas tantas alegres e fascinantes.
Parabéns pelo seu trabalho!!!
obrigada! continue compartilhando sua história com a gente :) quem sabe um dia vc não coloca uma florzinha aqui?
Dani, que menina linda!! A gente se conhece, mas não conhece e agora lendo sua história e te conhecendo um pouco mais, vejo a importância de se compartilhar tamanha vivência, sem dúvida sua história é inspiradora e encantadora. Fico pensando como participar desse mundo, trazer p/ dentro do meu e poder vivenciar algo parecido. Parabéns por vc e pelo trabalho, um abraço Simone
Si,
Que delícia receber seu comentário, seu olhar sobre essa história. Mais ainda saber que te inspira de alguma maneira.
Adoraria que pudesse participar desse jardim, seja como for. Como disse, “nos conhecemos sem se conhecer” e adoraria te Re-conhecer :)
Tenha esse espaço como um coletivo para esse compartilhar de histórias e fazeres e se quiser marcar, contar a sua, trocar… será um prazer!
Um beijo grande, Dani
Obrigada pelo convite, eu quero sim contar minha história, mas num momento que ela saia pra fora espontaneamente, naturalmente, quase como uma necessidade de contá-la, sabe?! Acredito que cada um tem seu tempo certo, eu ainda preciso desabrochar pra vida !! Mas estou no caminho. bjs e um 2011 incrível Si
sei sim :) qdo quiser, no seu tempo… será uma honra acolher esse desabrochar. Que 2011 seja lindo prá vc e sua família, dani*