
A aromaterapeuta e aromatóloga Sâmia Maluf, proprietária da By Samia Aromaterapia, abriu sua empresa há nove anos, mas tem uma longa trajetória como empresária, embora em outros setores. Curiosa e atenta aos novos tempos, Sâmia sempre valorizou sua história familiar e procurou aprofundar conhecimentos e experiências com base nesse passado.
Filha única, criada em bairro central da capital paulista, tinha uma vida simples que prezava os tradicionais hábitos dos pais – ele, libanês, ela, lituana –, que chegaram ao Brasil fugindo da Segunda Guerra. Nascida no final dos anos 1950, lembra-se de, na infância, ajudar a mãe a tirar água do poço – numa época em que a rede de água encanada ainda era pequena. Acostumou-se a ver Dona Jadviga – hoje com 85 anos –aproveitar as sobras de alimentos nos cuidados pessoais. Ela trouxera de sua terra o hábito de cuidar da pele utilizando cascas e polpas de frutas maduras de época – pepino, papaia, morango, cenoura – que Sâmia sempre respeitou.
A maneira arcaica e rudimentar de viver, mesmo na cidade grande, marcou muito a vida dessa linda garota que, ainda pequena, era levada pela mãe para concursos e testes de TV – até Bebê Johnson chegou a ser! Era vaidosa sem radicalismos – preferia cuidar da aparência de dentro para fora, fazendo ginástica e alimentando-se apenas de produtos saudáveis. Chegou a participar de programas infantis. “Aos 5 anos, eu decorava as falas de todo mundo, o que para mim era uma forma de ‘enxergar a alma’ das pessoas e transmitir o meu interior”, relata.
Sâmia recorda que nunca teve biotipo para modelo: “Nunca fui magrela, sempre fui alta e forte e, antes dos 20 anos, tive a sorte de me parecer com uma modelo que surgia na época, Margaux Hemingway – com suas sobrancelhas grossas e rosto anguloso – que mudou o conceito de beleza, mas infelizmente morreu cedo, há mais de dez anos”. Assim a empresária firmou sua carreira de modelo, tendo ido aos EUA e à Europa para fazer fotos e desfiles. “Era uma forma de ganhar dinheiro, queria usar a beleza como meio de atingir e difundir a saúde e a disciplina.”
A aromaterapeuta teve a primeira filha com apenas 20 anos, mas ainda conseguia conciliar a vida de mãe com a de modelo. Algum tempo depois, cursando psicologia e com vontade de ter mais filhos, montou uma loja de confecção infantil que dirigiu por um ano, quando a vendeu. Incansável, aos 24 anos montava seu segundo negócio, uma confecção de jeans – a conhecida Oshkosh – que conduziu com sucesso por cinco anos. “Nesse meio tempo não havia largado a carreira de modelo, conciliava as duas coisas, mais a faculdade, duas filhas e um terceiro a caminho. Meu marido era da área têxtil e me ajudou muito. Meu objetivo era chegar aos 40 anos com a vida definida, pessoal e profissionalmente”, observa.
Nessa época resolveu largar tudo e trabalhar só com a psicologia. Atendeu dependentes de drogas em uma clínica durante três anos, o que lhe trouxe muita experiência e, ao mesmo tempo, conflitos. “Fascinada por perfumes, havia usado óleos aromáticos nas gestações e queria elaborar tratamentos à base de aromas, novidade na época. Sempre respeitei a alopatia, mas percebi que a indústria farmacêutica havia desvirtuado suas origens, baseadas na natureza”.
Pouco habituada a comer carne desde criança, Sâmia foi uma das primeiras pessoas – ainda nos anos 70 – a aderir à alimentação macrobiótica, à astrologia e ao esoterismo. “Almejava caminhos alternativos, porém sem ser radical, sempre de olho na tecnologia e nas novas descobertas. Via a importância de tratar da saúde e conduzir a vida de maneira natural, pois sempre avaliei que a doença é o ser humano quem cria. Ainda não se falava em estresse ou doenças psicossomáticas, mas eu conhecia os efeitos do desgaste emocional e mental na vida das pessoas. Em meio a conflitos conceituais, resolvi largar a clínica e a medicina alopática, que respeito até hoje, mas para a qual visualizo terapias complementares baseadas nas filosofias orientais da antiguidade”.
Sâmia passou a pesquisar sobre óleos essenciais – muito antes da facilidade da Internet – já empregados em terapias em outros países. Viajou para Japão, Indonésia, Tailândia, Singapura e Estados Unidos, onde conheceu pessoalmente o Instituto Smell and Taste Research (Pesquisas de Aromas e Sabores), de Chicago, dirigido pelo renomado médico Alan Hirsch. Passou a experimentar informalmente em seus estudos, fazendo massagens com óleos aromáticos em pessoas da família e amigos. Precisava, porém, provar suas teorias a médicos e cientistas, e por isso especializou-se na área.

Em 1999, resolveu abrir um negócio de aromaterapia. Primeiramente, numa sociedade que durou seis meses. A seguir, cercada de pessoas que conhece há 30 anos, abriu a empresa com seu nome, a By Samia Aromaterapia, que ao final do ano 2000 já se firmava no mercado. “Sempre fui workaholic e, enfim, arranjei uma forma de canalizar essa energia para algo que me dá prazer e faz bem, a mim e aos outros”, revela.
Vitrine para a saúde – Segundo ela, a estética era apenas a vitrine para o cuidado da saúde interior: “A aromaterapia envolve conceitos. Para mim, a esteticista deve se portar como terapeuta, ela deve tratar de uma celulite com a visão de uma guardiã dos hábitos de vida dos pacientes, pois o problema resulta de seu comportamento. A cultura atual é muito diferente da desenvolvida até o século passado, quando as pessoas se movimentavam mais e não adoeciam tanto. Desde que tivessem condições mínimas, morriam de velhice. Por isso, apregoo que devemos nos cuidar hoje para obter um amanhã melhor”.
Sâmia explica que, obviamente, a esteticista não é uma psicóloga, mas seu trabalho envolve propiciar o bem-estar de uma cliente que pode estar deprimida e com baixa autoestima e orientar com maneiras de prevenir complicações mais sérias. “Dentro disso, ela deve oferecer um chá e um lugar tranquilo para repousar depois da sessão, por exemplo.”
A busca de novos aromas – Sâmia avalia que “nosso país é rico e, infelizmente, sempre teve suas riquezas usurpadas. Sobreviver aqui implica conhecer e praticar a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente. É preciso valorizar o ser humano e seu entorno, enfatizando a qualidade de vida. Nossa flora é exuberante e serve de fonte de pesquisa para o mundo inteiro, mas os pesquisadores brasileiros trabalham sem nenhum subsídio”.

Ao observar isso, estabeleceu, como empresária, parceria informal com universidades nacionais, cujos profissionais desenvolvem a pesquisa de óleos brasileiros e estrangeiros. Ela fornece amostras para a análise de seus benefícios, como uma das formas de comprovar sua eficácia.
Curiosa e empreendedora, Sâmia tem de estar por dentro no agronegócio. Com os agricultores, firma contatos para definir o cultivo de ervas e plantas, de maneira responsável e rentável para as comunidades. “Preciso ir a campo para conhecer as plantas brasileiras, pois não se sabe quantas e quais são”, conta. Para o laudo da Anvisa, são necessários, no mínimo, três cultivos para cada planta a fim de avaliar se o solo mantém química orgânica suficiente. Os óleos By Samia são certificados pela Ecocert e pelo IBD (Instituto Biodinâmico) e têm, comprovadamente, a porcentagem de ativos padrão requerida.
A aromatóloga explica que as melhores regiões do Brasil são o interior de São Paulo e o Sul: “Algumas plantas se dão bem na caatinga e no Nordeste, mas o Norte ainda é o mais rico, embora sofra o monopólio da exportação, principalmente para o Japão. Infelizmente, algumas plantas, como o pau-rosa, estão em extinção”. Há variedades cultivadas por tribos indígenas, embora em pouca quantidade. Para essa busca, faz contato com pajés por meio de antropólogos. “Procuro descobrir qual o ritual do uso de determinadas plantas, pois com sua comercialização essas origens acabam se perdendo. Esses rituais ainda são bastante preservados na cultura de outros países, mas não na nossa, infelizmente.”
Aprendeu que as grandes empresas farmacêuticas muitas vezes chegam primeiro e compram toda a produção dos agricultores. Por isso, também precisa recorrer a outros países, como Turquia e Marrakesh, onde tem fontes nas quais confia. “As pessoas têm pouca informação sobre aromaterapia e aromacologia, e por isso muitas vezes compram óleos em perfumarias sem a pureza necessária. Essa pureza e confiabilidade exigem o lançamento de bons produtos.” Além disso, verifica sempre as regiões nas quais não se utiliza trabalho infantil ou escravo.

Mil e uma atividades – Sempre ativa, como consultora Sâmia atualmente está envolvida em projeto pioneiro de um hospital especializado em comorbidade, que tratará não só os pacientes mas também seus cuidadores. Esse projeto, que dará ênfase na aromaterapia para o tratamento de idosos, será exposto em breve numa feira hospitalar que acontecerá em São Paulo, no mês de junho, por uma empresa de arquitetura de hospitais, em forma de um “spa fake”, montado especialmente para o evento. A empresária também marca presença em eventos da área farmacêutica, pesquisando formas de substituir a essência sintética por óleos ativos naturais que tenham bons aromas – importantes para os medicamentos.
Embora seja uma pequena empresa – com cerca de vinte funcionários, a By Samia segue os procedimentos previstos pela ISO 9001 e já implantou um Programa de Qualidade, tendo programado um Plano de Carreira para seus colaboradores. Auxiliada na parte financeira pela filha Roberta Campos e pelo genro Daniel Tomasi; no RH pela filha psicóloga, Marcela Campos; e, nas vendas, pelo marido Carlos Campos, Sâmia preocupa-se em qualificar e atualizar seus funcionários, permitindo que possam crescer dentro da empresa. “Missão, crença e valores são nossa filosofia. Tenho funcionários que entraram adolescentes, fizeram faculdade e pós-graduação e criaram sua família. Procuro subsidiar seus cursos superiores, de preferência relacionados com a área. É uma forma de envolvê-los e comprometê-los ainda mais com a empresa, profissional e emocionalmente. Prefiro que a By Samia continue pequena, para que os funcionários não percam uma série de incentivos e benefícios, e que o caráter humano seja mantido”, conclui.

As pindas são compostas de 7 ervas e especiarias aromáticas. A utilização deste tratamento proporciona um relaxamento profundo e uma desintoxicação de nosso organismo, desde a retirada de células mortas até a hidratação das camadas da pele.
Para saber mais sobre Aromaterapia, leia o livro “Aromaterapia de Samia Maluf”. Fácil, bem escrito, com receitinhas… delicioso!

Loja, cursos e etc:
R. Desembargador do Vale, 243 – Pompéia – São Paulo – SP Tel: (11) 3868-4485 / 3676-1543.

Ouça Malika, antes mesmo do seu lançamento, no soundcloud.com/malikaone
Malika é música para além dos ouvidos. Ela vibra o corpo com seu grave poderoso e estimula os olhos com suas cores e texturas vivas. É um projeto novo (de idade e originalidade), ainda nem foi lançado. Mas está aqui por ativar tanto os sentidos.
Na verdade, Malika é Claudia Dorei, cantora e musicista há mais de uma década. É seu alter-ego, seu paralelo, sua versão mais colorida. Claudia canta em português, Malika em inglês. Mas mesmo em idiomas diferentes, ambas expressam o desejo por um mundo sem fronteiras.
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Malika, por Claudia Dorei


Desde pequena, sou fissurada por música. Quando ganhava algum dinheiro de natal dos meus avós, imediatamente comprava um CD. Canções africanas, indianas, americanas, brasileiras, inglesas, islandesas, de tudo eu gostava. A princípio, amava ouvir, mas aos poucos fui descobrindo que também amava inventar sons. Estudei bateria aos 12 anos, depois passei para o violão, descobri o trompete na escola, comecei a meditar e fui tocar cítara, mridangam (instrumento de persussão indiano), címbalos, e finalmente, por influência do meu tecnológico pai, mergulhei no mundo maravilhoso dos computadores. Tudo isso ficou dentro de mim e hoje crio sons, trilhas e discos.
A música tem o poder de alterar meu estado de espirito. Fico pensando que loucura é essa coisa que não precisa existir, não tem nenhuma necessidade prática, mas que está em todos os lugares!
Para mim, ela está em tudo e surge do nada. Acabei de terminar um disco inspirado nos sons e texturas que meu querido parceiro musical, Cavalaska, compartilhou comigo.
Além de ser um incrível produtor de música eletrônica, Cavalaska é meu professor de Yoga. Entre uma aula e outra, ele mostrava bases para que eu colocasse melodias e letras. É o nosso primeiro disco juntos, e nesses mais de 10 anos de profissão, nunca foi tão fácil e intuitivo criar. Eu ligava as caixas de som no meu estúdio, apagava a luz, fechava os olhos, ouvia, sentia e uma paisagem surgia na minha mente. A partir desse cenário, letra e melodia fluiam como água.
Dessa experiência sensorial e muito especial, nasceu um projeto alheio à Claudia Dorei, chamado Malika – uma espécie de alter-ego, com som e imagem próprios. É como se fosse outro alguém, um ser (não necessariamente humano) que manifesta sua energia através da música.

O disco ainda não foi lançado. Estamos trabalhando no encarte, junto com os talentosíssimos Paulo Bueno e Uibirá Barelli, que por identificação sonora, criaram o visual do projeto. Siva Rama fez a maquiagem, Yuri Pinheiro fez as fotos e, em breve, faremos um show de lançamento. Por enquanto, você pode ouví-lo aqui. Boa viagem!
Malika é uma proposta diferente. Não é racional, é sensitiva. Para clarear um pouco mais essa história, aqui está um trecho da conversa que eu tive com Claudia Dorei :)
Karine
Me fala uma coisa, Claudia: quem é Malika? É o seu alter-ego?
Claudia Dorei
É
Karine
E por que ela tem esse visual?
Claudia Dorei
Como ela não é Claudia Dorei (eusinha de nascença), criamos um personagem, não só visual, mas também no jeito de cantar. É muito diferente do jeito que eu canto, em português. Então brincamos com esse ser que poderia ter vindo de outro planeta.
Karine
Então Malika é um ser de outro tempo-espaço?
Claudia Dorei
Pode ser…
Karine
E por que ela canta em inglês?
Claudia Dorei
Canta em inglês porque se cantasse na língua dela ninguém entenderia! rs
Karine
E o que ela diz? Qual é a mensagem de suas músicas?
Claudia Dorei
Embora também seja da terra, ela tem um olhar de fora sobre nosso planeta. Não consegue entender por que existem fronteiras, países… Ela quer que as pessoas esqueçam seus problemas, esqueçam que a lei da gravidade puxa as coisas para baixo. Malika quer celebrar a vida.
Karine
Só mais uma coisa: você intuiu Malika? Sonhou? Ou a construiu conscientemente?
Claudia Dorei
Eu intuí. Foi um processo muito louco e muito rápido… sem algum senso crítico racional. As músicas foram feitas em menos de 30 minutos cada uma – letra e melodia!
GET TOGETHER – Malika
this is the final message
the more you give
the more you get
let’s get together at this celebration of life
gravity try to pulls us down
so let’s
JUMP
they’re not gonna catch us now
for consciousness is our weapon
we are all one
on this round planet earth
o let’s get together in this truthful family
you are so welcomed here
let’s spread love
good vibrations
let’s be the ones who choose
not to be the chosen ones
let’s spread love
good vibrations
LOVE
Quer ouvir Claudia Dorei?
O cineasta Eduardo Coutinho (Edifício Master, Santo Forte, O Fim e o Princípio) mostrou uma coisa que todo mundo sabe em seu último documentário, chamado “As Canções”: que a música é capaz de fazer sentir novamente. Que pode molhar a boca com o gosto do bolo da mãe saudosa, de exalar o cheiro do cabelo da namorada, de ver a gargalhada do melhor amigo. Uma música pode trazer, tudo junto, o cheiro, a imagem, o gosto e o arrepio daquelas férias na adolescência.
“As Canções” mostra 18 personagens. Cada um, diante de uma câmera estática, canta a música que marcou a sua vida e explica porque ela é tão importante.
E é só isso, simples assim.
As pessoas cantam, contam, riem, choram, se arrependem, se reafirmam, enquanto a gente chora, ri (muito!), se compara, se surpreende e se levanta da cadeira fazendo “sim” com a cabeça para um dos refrões mais cantados do Brasil “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu senti”.
O filme ainda está nos cinemas. Vale a pena :)
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